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Governos querem transformar vacina da dengue em antizika

Publicado em 23 fevereiro 2016

Os governos federal e de São Paulo pretendem aproveitar uma vacina contra a dengue que está em fase final de testes para criar um imunizante único – que, além de evitar os quatro tipos da doença, seja ainda antizika.

 

A aposta foi divulgada ontem pela presidente Dilma Rousseff (PT) e por integrantes da gestão Geraldo Alckmin (PSDB), no evento em que a União liberou R$ 100 milhões para a terceira e última etapa de testes da vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan, do governo paulista.

 

“O desafio é chegar à vacina contra o zika vírus. Um dos caminhos é esse, de transformar essa vacina tetravalente (contra os quatro tipos de dengue) em uma vacina pentavalente (incluindo ainda a zika)”, afirmou Dilma. A vacina contra a dengue do Instituto Butantan começou a ser estudada em 2008 – e a estimativa é que possa ser aplicada até 2018.

 

O aporte da União para desenvolvê-la só chegou agora, em meio à repercussão mundial do avanço do vírus da zika, transmitido pelo Aedes aegypti, mesmo vetor da dengue. Antes, havia financiamento do governo paulista, do BNDES e da Fapesp (fundação paulista para pesquisas). Mas, segundo especialistas, a vacina única precisa seguir testes independentes e deve demorar ainda mais, mesmo que seja aproveitado parte do que já foi adquirido nos testes da vacina contra a dengue.

 

“O desenho de fazer uma mesma vacina contra dengue e zika é interessante, mas, primeiro, é preciso saber como o vírus da zika realmente se comporta”, diz Esper Kallás, infectologista do Sírio-Libanês e pesquisador da USP. Em 2015, a epidemia de dengue no País bateu recorde, com 1,6 milhão de casos. (Folhapress)