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Diário do Comércio (MG) online

Governos compram fatia de empresas inovadoras

Publicado em 07 abril 2015

Sao Paulo - As agencias estaduais de fomento a inovacao tambem querem ser socias das empresas de tecnologia. No caso delas, a estrategia faz parte do pacote de beneficios que os estados oferecem ao setor produtivo para motiva-lo a manter - ou ate instalar - a empresa nas suas divisas.

A Agencia de Desenvolvimento Paulista (Desenvolve SP), por exemplo, e cotista de cinco fundos que compram participacao em empresas e criou um deles - o Fundo Inovacao Paulista, que tem patrimonio de R$ 105 milhoes, cerca de 25% aportado pela Desenvolve SP. O restante do capital vem de outros cotistas, como o Sebrae-SP, a Fapesp e a propria Finep. "Os nossos recursos sao aplicados integralmente em empresas paulistas. Queremos trazer para Sao Paulo empresas que agreguem pesquisa e desenvolvimento a nossa matriz de producao", disse o presidente da agencia, Milton Santos.

Uma das empresas que recebeu investimento foi a Promip, de controle biologico de pragas, com sede em Engenheiro Coelho, na regiao de Campinas. A empresa recebeu R$ 4 milhoes do fundo Inovacao Paulista em troca de 30% de participacao. "O que nos atraiu foi um envolvimento alem do dinheiro. A empresa mudou depois da capitalizacao", disse o CEO da Promip, Marcelo Poletti

Apos a entrada do fundo, a companhia formou um conselho de administracao, com nomes de peso, como Leopoldo Saboya, diretor financeiro da Copersucar, e Claudia Goulart, ex-presidente da GE Healthcare na America Latina. " um conselho consultivo", explica Poletti.

Criada em 2006 dentro de uma sala de 30 metros quadrados na Escola de Agricultura (Esalq) na USP de Ribeirao Preto, a Promip tem 60 funcionarios e receita anual de R$ 5 milhoes. A empresa montou uma biofabrica de acaros e uma estacao experimental de controle de pragas em uma area total de 6 hectares em Engenheiro Coelho, na regiao de Campinas. "Esse mercado vai crescer. Sem recursos, poderiamos perder o timing e ficar para tras", explicou Poletti.

Ele espera que parte dos cerca de US$ 11 bilhoes gastos por ano no Brasil com produtos quimicos para controle de pragas migrem para mercado de produtos biologicos. "Se for 5%, e um volume gigantesco", avalia.

A Fomento Parana, que ja libera credito para investimento, tambem esta estruturando um fundo para comprar participacoes em empresas. O governo paranaense ja usou do artificio no passado. Alem de conceder incentivo fiscal e credito, o Parana bancou parte do investimento da Renault em Sao Jose dos Pinhais no fim dos anos 90 para trazer a fabrica ao Estado.

Até hoje, o governo paranaense tem uma fatia minoritaria na Renault e um assento no conselho da empresa. "O aporte de capital na empresa foi uma acao fundamental para assegurar sua instalacao no Parana. Com a Renault, veio toda uma cadeia produtiva do setor automotivo para o Parana", disse, em nota, a Fomento Parana.

Parceria - O estímulo do estado pode fazer a diferenca na largada para empresas de alta tecnologia, ressalta Ozires Silva, primeiro presidente da Embraer. "Eu tentei capital privado para montar a Embraer e nao consegui. A saida foi criar uma estatal e depois privatizar."

Para o presidente da Associacao Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento das Empresas Inovadoras (Anpei), Gerson Pinto, a compra de participacoes de agencias estatais, como Finep e Desenvolve SP, em projetos inovadores nao representa uma estatizacao das companhias. "O Brasil precisa olhar com maturidade para parcerias publico-privadas de fomento a inovacao. Nao se trata do setor publico a servico do privado, mas do publico e do privado trabalhando juntos a servico do pais." Para ele, paises que avancaram fortemente em inovacao, como Estados Unidos e Coreia do Sul, tem esta relacao de forma mais amadurecida.

(AE)