Notícia

Gazeta Mercantil

Governo vai bancar custo de implantar a Internet

Publicado em 01 junho 1995

Por Isabel Versiasi - de Brasília
O ministro das Comunicações. Sérgio Motta, confirmou ontem que a administração da Internet no Brasil ficará a cargo da Rede Nacional de Pesquisa, ligada ao Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT). O órgão vai adequar a sua rede (backbone), que já atende a área acadêmica, para passar a oferecer, dentro de noventa dias, conexões a provedores comerciais do serviço. "Estou passando a bomba para o Israel Vargas (ministro da Ciência e Tecnologia)", brincou Motta, lembrando que a Embratel ficará apenas com a função de oferecer a rede física para o serviço. Os usuários que já vinham usando os serviços de acesso oferecidos em projeto experimental pela Embratel poderão, segundo informou o ministério, continuar a fazê-lo até o final do ano. Depois disso, serão encaminhados a outros provedores privados. O secretário de Informática do MCT. Ivan de Moura Campos, afirmou que, para aperfeiçoar o seu backbone federal, a RNP irá investir R$ 1,5 milhão na compra de roteadores e R$ 10.8 milhões mensais no aluguel das linhas da Embrabel. As conexões aos provedores, que oferecerão o serviço final ao consumidor, serão feitas pelo preço de mercado, para não afastar investidores privados que queiram entrar no negócio de backbones. A idéia do governo é que, dentro de um ano, a RNP possa voltar a ser uma rede exclusivamente acadêmica e deixe a Internet comercial nas mãos da iniciativa privada. Campos explicou, ainda, que os backbones estaduais poderão ser oferecidos pelas companhias telefônicas. Os serviços de acesso à rede, no entanto, só serão prestados pelo governo em casos especiais, em que fique claro que a iniciativa privada não tem interesse em investir. Em decreto a ser assinado pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, ficará estabelecido que as instituições de ensino e pesquisa poderão ter um desconto de 50% nas tarifas de telecomunicações por linha dedicada (exclusiva). Os demais usuários pagarão o preço normal da tarifa telefônica local (no caso de o provedor ser local), mais a assinatura cobrada pelo provedor de acesso, que não será controlada pelo governo.