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UNICAMP - Universidade Estadual de Campinas

Governo trata energia solar fotovoltaica com entusiasmo durante workshop do Nipe

Publicado em 16 março 2011

Por Luiz Sugimoto

Teve gente que precisou ficar em pé durante a cerimônia de abertura do Inova FV - Workshop Inovação para o Estabelecimento do Setor de Energia Solar, na manhã de terça-feira (16), no repleto auditório da Biblioteca Central Cesar Lattes. O evento de dois dias, organizado pelo Núcleo Interdisciplinar de Planejamento Energético (Nipe) da Unicamp e pela International Energy Initiative (IEE), tem o objetivo de reunir academia, governo e iniciativa privada para a construção de uma agenda coordenada de ações que levem ao estabelecimento de um mercado e de uma política industrial, científica e tecnológica de desenvolvimento e competitividade da indústria de equipamentos fotovoltaicos e de serviços no país.

Na mesa presidida pelo reitor Fernando Costa, representantes de três ministérios envolvidos com o tema - Ciência e Tecnologia (MCT), Minas e Energia (MME) e Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Midic) - foram unânimes em afirmar que o Brasil vive um bom momento para consolidar seu setor de energia solar fotovoltaica. "Nosso passado não é tão bom, pois deixamos de desenvolver pesquisa e estacionamos. Mas sinto uma retomada do interesse por esta tecnologia que pode ser muito interessante para complementar nossas necessidades de energia no futuro", afirmou o professor Gilberto De Martino Jannuzzi, coordenador do Inova FV.

Elyas Medeiros, assessor técnico do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), informou que este órgão vinculado ao MCT produziu e disponibilizou a partir de 2009 o "Estudo prospectivo em energia solar fotovoltaica". "Mais de uma centena de pessoas participaram da construção deste documento que traz recomendações para os tomadores de decisão - sejam de empresas, agências de fomento ou da academia. E este evento na Unicamp é um esforço adicional para transformar as diversas propostas em realidade, enquanto há tempo para o país se beneficiar desta tecnologia de futuro e de importante efeito socioeconômico. Esperamos sair daqui com medidas práticas".

Elogiando a organização do Inova FV por reunir um grupo importante e representativo, Cassio Marx Rabello da Costa, especialista da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), do Midic, disse compartilhar deste sentimento de otimismo. "Percebo que neste evento não teremos uma conversa de "Zé com Zé", da academia consigo mesma ou do governo consigo mesmo. Vejo a famosa hélice tríplice: governo, academia e setor empresarial, que precisam combinar esforços para desenvolver uma indústria que cresce muito no mundo. Estamos falando de geração de empregos, renda e tecnologia, de converter os esforços públicos em bem-estar para nossa população".

Eduardo Soriano, coordenador de Tecnologia, Inovação e Energia do MCT, assegurou que a descontinuidade nos investimentos não será problema nos próximos anos. "Já faz algum tempo que mantemos um trabalho constante na área de energia solar fotovoltaica e que terá prosseguimento. Estamos inscrevendo um PAC [Plano de Aceleração do Crescimento] em C&T e conseguiremos progressos nos próximos anos. Outro detalhe é a ambiência muito positiva no MCT, com apoio incondicional à questão da energia solar, não apenas fotovoltaica, mas incluindo a fototérmica".

Segundo Marcos Vinicius de Souza, diretor de Fomento à Inovação do Midic, dois dias após a posse da presidente Dilma Rousseff, os grupos de trabalho do governo já começaram a se movimentar intensamente no sentido de planejar as grandes políticas industriais e de C&T. "As reuniões com todos os setores são constantes. Agora é o momento para este evento da Unicamp, justamente porque é de discussão. Não viemos com a postura de governo, ditar o que precisa ser feito; viemos com a cabeça neutra para aprender com a academia e as empresas, a fim de depois tomar decisões".

Uma tradição da Unicamp - Ao encerrar a cerimônia de abertura, o reitor Fernando Costa observou que o Inova FV confirma a tradição da Unicamp de promover o debate e atuar fortemente em áreas estratégicas para o futuro do país. "Na área de energia, especificamente, diversas unidades de Exatas e Tecnológicas vêm contribuindo de maneira significativa tanto em pesquisa básica como aplicada. A Universidade é pioneira na criação de cursos de pós-graduação em petróleo e, atualmente, estamos em fase de implantação de um importante laboratório multidisciplinar de energia biorrenovável, com a colaboração do governo estadual e da Fapesp".

Tendo participado de eventos internacionais, Fernando Costa deixou uma ressalva frente ao sucesso da política brasileira na distribuição da matriz energética (com as hidrelétricas, o etanol, a auto-suficiência em petróleo e a pouca dependência do carvão). "Nesses encontros, percebemos que estamos muito aquém em pesquisas básicas e aplicadas a energia solar e também eólica, em comparação com países europeus e do Oriente Médio. Não temos grandes grupos fazendo pesquisa e, para isso, precisamos formar gente na graduação, pós-graduação e especialização; ou mesmo trazer especialistas do exterior, como nós já fizemos em outras áreas em que o país possui grande vantagem competitiva".