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O Estado do Paraná

Governo tenta evitar fuga de cérebros

Publicado em 04 março 2007

O governo quer combater a chamada fuga de cérebros criando um programa para manter no País doutores recém-formados. A idéia é oferecer bolsas de R$ 3.300 por mês, que poderiam ser complementadas por empresas, centros de pesquisa ou instituições de ensino interessados em contratar os serviços do profissional. A medida poderá fazer parte do pacote educacional que o ministro da Educação, Fernando Haddad, apresentará amanhã ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O Brasil formou dez mil doutores no ano passado. O problema é parte deles não consegue emprego à altura de sua qualificação. Caso seja criado, o chamado Piano Nacional de Pós-Doutorado poderia abrir até mil vagas por ano. Cada contrato teria duração de cinco anos, tempo suficiente para o doutor desenvolver um projeto de pesquisa e encontrar um lugar no mercado de trabalho. "Não basta a gente formar, e preciso absorver, diz o presidente da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), Jorge Guimarães.

O Mini da Educação deverá somar esforços com o Ministério da Ciência e Tecnologia. A idéia é que a Capes, a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Cientifico e Tecnológico (CNPq) selecionem projetos apresentados pelos doutores, em parceria com uma universidade, uma empresa, unia fundação esta dual de amparo à pesquisa ou um centro científico.

Além da bolsa de R$ 3.300, o governo daria uma ajuda inicial de cerca de 11$ 1.200 para cada pesquisado, o chamado enxoval. Caso a meta de conceder mil bolsas por ano seja atingida, o custo ficaria em cerca de

R$ 41 milhões por ano.

O foco do programa de combate à fuga de cérebros é a inovação tecnológica Alem de dar emprego para doutores no Pais, o governo quer estimular o desenvolvimento econômico, criando condições para que as melhores cabeças trabalhem dm sintonia com a política industrial.

O presidente da Capes, Jorge Guimarães, diz que iniciativas semelhantes já existem tanto na Capes quanto no CNPq e na Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), além de outras fundações estaduais. A diferença, diz ele, é que o esforço seria agora concentrado nas áreas de inovação tecnológica. "No mundo inteiro existe isso. Não estamos inventando nada. Mas quere mos direcionar os esforços para áreas prioritárias ligadas a Lei de Inovação e à política industrial" afirma.

Para tornar as vagas mais atraentes, a idéia é que a instituição ou empresa parceira complemente a bolsa. Afinal, será diretamente beneficiada pelo resultado da pesquisa. Em princípio, o público alvo são doutores formados nos últimos cinco anos. Para unificar as incitativas da Capes, -da Finep e do CNPq, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva terá que assinar decreto.

O governo Lula estabeleceu a meta de formar 16 mil doutores por ano, a partir de 2010. A medida em que isso ocorra, a demanda por empregos será maior O pacote educacional poderá fazer ajustes no Plano Nacional de Pós-Graduação para garantir tamanho crescimento.