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Governo garante R$ 200 mi ao Polo Nacional até 2010

Publicado em 25 março 2009

A imprensa local divulgou ontem versões antagônicas sobre o destino do Polo Nacional de Biocombustíveis e ficou a dúvida se ele será incorporado à Universidade de São Paulo (USP) e permanecerá sediado na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) ou se vai para São Carlos. O diretor da Esalq e coordenador geral do Polo, Roque Dechen, garantiu que a entidade foi fechada provisoriamente apenas para reestruturar sua gestão e continuará centrada em Piracicaba. Mas as decisões sobre seu novo formato dependem ainda da escolha de um modelo de organização que envolva os núcleos de pesquisas da Unesp, USP e Unicamp, aproxime os centros de pesquisas das principais universidades do mundo e, ao mesmo tempo, atraia investimentos privados e dê conta dos interesses estratégicos do país em energia renovável.

De acordo com Dechen, durante a I Conferência Internacional de Biocombustíveis, realizada em novembro, em São Paulo, o governador José Serra garantiu que disponibilizará R$ 200 milhões até o final de seu mandato, oriundos da Secretaria de Ensino Superior – sendo metade para este ano e metade em 2010 –, para projetos de pesquisas voltados aos biocombustíveis.

Cada universidade precisa agora se organizar para apresentar seus projetos à Fapesp, responsável pela avaliação e financiamento.

A USP já se antecipou e montou uma comissão composta por representantes dos campi de Lorena, Pirassununga, São Carlos, Ribeirão Preto e das áreas de química, física e biociência, além da Poli.

A estruturação do Polo depende também da aceitação ou não da contrapartida de cada universidade exigida pelo governo do estado. “Que não será apenas disponibilizar seus pesquisadores e a estrutura existente, mas sim, contratar pessoal para cada projeto aprovado”, explica Dechen. Diante dessa nova realidade, que envolve também recursos do governo federal, o diretor da Esalq acredita que o resultado será um amplo entendimento nacional, que coloque energia e sustentabilidade em evidência e em seu devido lugar. “Com o resultado das pesquisas, o governo brasileiro terá uma visão mais clara sobre as bioenergias e poderá definir políticas públicas para o setor. Sem contar, que poderá também estabelecer estratégia de segurança, protegendo as descobertas científicas”.

O salto nesse processo será a criação da indústria química para a cana. Mas Dechen destaca que o fortalecimento das parcerias com universidades americanas, japonesas e européias, como Wageningen University and Research Center, da Holanda, dará a dimensão do trabalho. “As parcerias internacionais já vêm acontecendo na USP e é uma demonstração de que o Brasil sai da condição de pedinte para se tornar competitivo em ciência e tecnologia”, observou. Todo o avanço intensificará o desenvolvimento do Parque Tecnológico, que está sendo construído no bairro Areão.

Polêmica

A matriz da polêmica sobre a possível transferência do Polo Nacional de Biocombustíveis para São Carlos é a disputa política entre José Serra e Dilma Rousseff. Mas não passa de especulação.

O ex-coordenador da entidade, professor-doutor Edgar Gomes Ferreira de Beauclair, não ficou satisfeito quando recebeu a notícia de que não ocuparia mais o cargo, até que seja feita a reestruturação. “Como o Polo não é da USP, ele jamais poderia ser fechado pela universidade, como aconteceu”.

Segundo o professor, até o momento não recebeu nenhuma informação sobre como será a reestruturação. Mesmo assim, apresentou uma proposta. Beauclair acredita que o lançamento de Palocci na disputa pelo governo do estado deverá acirrar ainda mais os interesses. “Certamente ele vai querer que a entidade vá para Ribeirão Preto”. A preocupação principal do ex-diretor é que o Polo se torne motivo de disputas entre universidades e se afaste da iniciativa privada, a principal interessada no projeto.