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Governo de Minas Gerais organiza núcleo para coordenar pesquisa em etanol, carvão e biodiesel; investimento é de R$ 25 milhões

Publicado em 29 julho 2008

P&D em Energia I

O governo de Minas Gerais deu o primeiro passo para a abertura do Centro de Inovação em Bioenergia (Bioerg) ao criar, neste mês de julho, o Escritório Gestor, que coordenará o trabalho de implantação. Com o Bioerg, o governo pretende aumentar a competitividade do Estado em bioenergia, integrando setor produtivo e acadêmico para fomentar a pesquisa e desenvolvimento na área. Participam da iniciativa as secretarias estaduais de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Sectes), de Desenvolvimento Econômico (Sede) e da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa). A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), por meio do Instituto Euvaldo Lodi (IEL), é o interlocutor do governo com a iniciativa privada nesse projeto.

O Escritório Gestor é coordenado por Marcelo Franco, responsável pelo Programa de Energia da Sectes. "Não é um centro tradicional, formal. Estamos pensando em fazê-lo na forma de OSCIP ou ONG", explica Franco a Inovação. As duas ações iniciais do Escritório Gestor são estruturar a rede de ciência, tecnologia e inovação (C&T&I) em bioenergia do Estado, e instalar o Núcleo de Inteligência Competitiva (NIC), trabalho que deve ser concluído até o final de 2008. A meta é ter o centro totalmente operacional em dois anos.

Investimento

Minas Gerais já destinou R$ 15 milhões em 2007 e 2008 para projetos do programa de bioenergia do Estado, que serão posteriormente geridos pelo Bioerg. No início de julho, a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig) se associou à do Estado de São Paulo (Fapesp) no Programa Bioen, ao qual destinou R$ 2 milhões. Para 2009, mais R$ 10 milhões já estão garantidos. "Seremos um centro de gestão e de inteligência competitiva, mas, no futuro, queremos ter alguns laboratórios, campos experimentais, para os quais estamos pleiteando verba junto ao BID [Banco Interamericano de Desenvolvimento]", conta Franco.

O governo pediu ao BID um total de R$ 50 milhões, para serem aplicados em seis anos. O dinheiro será usado para consolidar a infra-estrutura e fortalecer os centros de pesquisa e a competência já instalada. "Mas o novo centro não terá laboratórios que já existem. Não há justificativa para investirmos em prédios e equipamentos que não sejam complementares à rede, ao que já existe nas instituições do Estado", explica ele. O Bioerg deverá ser instalado dentro da Fundação Centro Tecnológico de Minas Gerais (Cetec), em área que já está em reforma.

Biodiesel, etanol celulósico e carvão

A rede de C&T&I vai integrar os grupos de pesquisa em bioenergia existentes nas universidades e centros de pesquisa de Minas Gerais. O NIC será formado por três escritórios regionais, instalados em arranjos produtivos locais (APLs) selecionados pelo governo e formados por empresas que atuam em energia. Os núcleos trabalharão com estudos de mercado, prospecção e tendências tecnológicas e formação de recursos humanos.

Os APLs escolhidos foram o de biodiesel e óleos vegetais da região de Montes Claros, no norte de Minas; o de etanol, nas cidades de Uberlândia e Uberaba, no Triângulo Mineiro; e o de carvão vegetal e biomassa, na região de Sete Lagoas, no centro do Estado. A escolha pelo APL de biodiesel está ligada aos investimentos da Petrobras em Montes Claros para produção do combustível. No caso do APL de carvão vegetal, há 30 empresas agrupadas e com interesse em produzir energia a partir de biomassa. O Sindicato da Indústria do Ferro (Sindifer), ligado à Fiemg, é parceiro do lado do setor privado. No Triângulo Mineiro está a principal região produtora de etanol de Minas. As empresas Dow e Cristalsev estão negociando com Minas e Goiás para instalar uma planta produtora de plásticos a partir de cana-de-açúcar. As duas companhias se juntaram para desenvolver essa tecnologia. Caso se decidam pelo Estado mineiro, deverão ficar no Triângulo. "O Bioerg só será bem-sucedido se fizer essa integração entre o público e o privado", destaca.

Segundo Franco, o foco das redes e das empresas em etanol serão a pesquisa e o desenvolvimento tecnológico para a produção do chamado etanol de segunda geração, obtido a partir de celulose. Elas também atuarão em alcoolquímica, a exemplo da iniciativa de produção de polímeros a partir da sacarose (açúcar) presente na cana. Em biodiesel, o foco será dado pelas rotas seguidas pela Petrobras, com destaque para a oleoquímica e a carboquímica. No caso do carvão vegetal, o interesse está na gaseificação e combustão do carvão, no aproveitamento de subprodutos na produção de ferro liga e ferro gusa das empresas locais e no aproveitamento de gases de combustão e de alto forno.

Várias instituições já foram identificadas para integrar a rede de C&T&I, que começará a ser formada a partir das demandas existentes nos três APLs, mas posteriormente será ampliada para abranger outros focos de pesquisa e desenvolvimento em bioenergia. No caso do APL de etanol, as Universidades Federais de Uberlândia (UFU), de Lavras (UFLA) e de Viçosa (UFV) são algumas das participantes. A Embrapa Florestas e a Embrapa Agroenergia são outras parceiras da rede. O Centro Universitário Sete Lagoas (Unifemm) atuará na rede focada em carvão vegetal e biomassa. Minas Gerais conta com 11 universidades federais, dois centros da Embrapa e duas universidades estaduais, que poderão integrar a rede.

O Escritório Gestor tem um coordenador em inteligência competitiva, assessorado por mais quatro pessoas, uma representante da Fiemg e outras nove pessoas distribuídas pelos escritórios regionais nos APLs. Para a estruturação e coordenação da rede de C&T&I, há um coordenador, quatro pessoas com especialização em engenharia mecânica, química, engenharia florestal e agronomia, e mais duas pessoas de suporte.