Notícia

Diário de S.Paulo

Governo contesta atlas de ONG e diz que Mata Atlântica aumentou

Publicado em 14 dezembro 2002

Por DIMAS MARQUES
A Secretaria de Estado do Meio Ambiente está questionando os dados do Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica - Período 1995-2000, divulgado na quinta-feira pelo Instituto Nacional e Pesquisas Espaciais (Inpe) e pela Fundação SOS Mata Atlântica. Diferente do trabalho da ONG, que indicou uma redução de 1,65% desse tipo de vegetação no estado, as pesquisas do governo realizadas em 2001 mostram que a cobertura de Mata Atlântica (medida com mata aumentou em 1,32%. O secretário de estado do Meio Ambiente, José Goldemberg, afirmou que a Mata Atlântica no estado está se recuperando. Pelos dados da pesquisa que integra o programa Biota que está mapeando toda a biodiversidade de (São Paulo), 2.86 milhões de hectares do estado têm floresta atlântica e capoeira (primeira vegetação que se forma nas áreas em regeneração florestal). Em 1990 e 1991, existiam 2.82 milhões de hectares com essas características. "O ganho é pequeno, mas está ocorrendo", disse o assessor do secretário, Francisco Kronka. A pesquisa do estado utilizou fotos tiradas de aviões, que foram trabalhadas em uma escala cinco vezes mais detalhada do que as imagens di- satélite usadas pela ONG e pelo Inpe. "Identificamos fragmentos muito menores de Mata Atlântica, que só poderiam ser notados com a escala que usamos", disse Kronka. De acordo com o trabalho do governo, o Litoral teve um acréscimo de 9.6% de vegetação (101 mil hectares). O Litoral é apontado pela Fundação SOS Mata Atlântica e pelo Inpe com uma das áreas que mais sofreu com o desmatamento, principalmente entre Peruíbe e a divisa com o Paraná, e o município de São Sebastião. O diretor de relações institucionais da Fundação SOS Mata Atlântica, Mário Mantovani, representantes da ONG vão se encontrar com os técnicos da Secretaria de Estado do Meio Ambiente no início da semana para discutir as diferenças entre os trabalhos. "Vamos ver a extensão dos problemas do atlas e confrontar com os dados do governo", afirmou. HISTÓRICO Entre 1962 e 2001, segundo a pesquisa do programa Biota, da Fapesp, o estado de São Paulo perdeu 3,85 milhões de hectares de Mata Atlântica. Nos anos 60, o estado tinha 29,26% do território com vegetação original preservada, enquanto em 2001 existia apenas 13,70%. Em 1992, o índice era de 13.43%, o que indicou que o ritmo de desmatamento caiu durante a década de 90. FLORESTA PERDEU 80% DA COBERTURA A Mata Atlântica ocupou 15% do Brasil. Além de ser recordista mundial em biodiversidade botânica, o ecossistema abriga pelo menos 1.023 espécies de aves. 350 de peixes, 340 de anfíbios, 250 de mamíferos e 197 de répteis. Em sua área original, que abrange 17 estados, vivem hoje 108 milhões de pessoas em 3.406 municípios. Atualmente restam, de acordo com a SOS Mata Atlântica, apenas 16,4% da floresta. ESTADO INTERDITA LOTES DE VEREADOR Ambientalistas da região do ABC estão acusando o ex-vereador de Rio Grande da Serra, Nagib Elias Ésper, de legislar em causa própria para implantar um loteamento em área de manancial e com Mata Atlântica. O Territorial Vila Verde, situado entre os bairros Vila Lopes e Jardim São Francisco, está com suas vendas interditadas pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente por problemas em sua implementação. Nascentes foram aterradas e terra em excesso foi retirada, provocando erosão em área, onde havia floresta. A denúncia contra Nagib foi feita pelo presidente do Movimento em defesa da Vida do Grande ABC. Virgílio Alcides de Farias, na representação em que pediu à promotoria do Meio Ambiente de Ribeirão Pires a interdição definitiva do loteamento. Nagib era vereador em 1992, quando foi elaborado o Plano Diretor de Rio Grande da Serra. "Ele conseguiu que seu terreno fosse destinado para habitação." Segundo a promotora Thelma Cavarzere, é preciso uma representação especifica sobre o favorecimento pessoal para ser aberta uma investigação. Nagib não respondeu às tentativas de contato do DIÁRIO para ele comentar o assunto.