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Governo apresenta sistema brasileiro de TV digital

Publicado em 06 dezembro 2005

Por Thiago Romero

Os requisitos tecnológicos que irão conduzir o Sistema Brasileiro de Televisão Digital (SBTVD) estão prontos. O país conta com equipamentos de geração, de recepção e de conversão de sinal desenvolvidos por instituições nacionais e compatíveis com os padrões existentes em outros países. Esses equipamentos podem ser utilizados tanto para aplicações interativas quanto para a transmissão de imagens de alta qualidade.
Na manhã de segunda-feira (5/12) foi realizada uma demonstração de como deverá funcionar o SBTVD. O evento, na sede da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), em São Paulo, reuniu representantes de alguns dos 22 consórcios formados por 106 universidades, centros de pesquisa, indústrias e emissoras, responsáveis pela definição de um modelo digital para a televisão aberta. O Ministério das Comunicações informa já ter investido R$ 50 milhões no projeto.
Com a convergência dos conceitos de computação, imagens digitais e internet, a primeira etapa do programa de desenvolvimento tecnológico para a definição do sistema foi dada como encerrada. "Temos pronto o conceito. Os protótipos de equipamentos foram desenvolvidos e estão sendo testados com sucesso", disse Luís Fernando Soares, professor do Departamento de Informática da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), à Agência FAPESP.
O grupo gestor do SBTVD está finalizando um documento com recomendações sobre o padrão ideal para o país, que deverá ser entregue ao Ministério da Comunicações até 10 de fevereiro de 2006. "Não estamos inventando um novo sistema de televisão digital. Estamos apenas definindo um sistema adequado às características geográficas e econômicas do Brasil, com base nos padrões existentes em outros países", explica Soares.
A próxima fase do programa estará voltada para a produção industrial e comercialização de equipamentos. A previsão dos proponentes do SBTVD é que, pelo tamanho da população brasileira, não faltarão empresas interessadas em fabricar aparelhos que permitirão o acesso aos serviços da televisão digital.
"Estamos falando em um mercado de 100 milhões de televisores espalhados por todo o país. Por isso, independentemente da definição do sistema nacional, boa parte da indústria mundial se voltará para o mercado brasileiro", explicou Marcelo Knorich Zuffo, pesquisador da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli/USP). "Temos o conhecimento suficiente e o domínio das tecnologias necessárias para o início da TV digital no país."
Os principais padrões de televisão digital existentes atualmente são o europeu (DVB), o japonês (ISDB) e o norte-americano (ATSC). Segundo especialistas, por causa de particularidades locais, o Brasil não poderia adotar um desses padrões sem que alguma modificação fosse feita. O DVB, por exemplo, foi implantado somente em países que adotam canalização de 7 MHz ou 8 MHz e, no Brasil, o sistema teria que funcionar em 6 MHz.
Por conta disso, o governo federal decidiu instituir, em novembro de 2003, o Sistema Brasileiro de Televisão Digital (SBTVD), composto por um comitê de desenvolvimento, vinculado à Presidência da República, por um comitê consultivo e por um grupo gestor. Entre os objetivos do SBTVD estão a criação e implantação de um plano gradual de transição da TV analógica para a digital, o estabelecimento de ações e modelos de negócios adequados à realidade nacional, a promoção da inclusão digital e a criação de uma rede universal de educação a distância.
Mais informações: http://sbtvd.cpqd.com.br

Agência Fapesp