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Governo abandona pesquisa que avalia expansão da Covid-19 no País

Publicado em 18 setembro 2020

Por Giovanna Galvani

Ministério da Saúde alega que estuda um novo modelo com IBGE, mas órgão diz que não tem informações há meses

O governo federal está, desde junho, sem planos para um novo inquérito sorológico da Covid-19 em escala nacional.

O Ministério da Saúde alega que trabalha em conjunto com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) desde que a parceria com a Universidade Federal de Pelotas (UFPEL) foi encerrada.

No entanto, o próprio IBGE afirma que não tem nenhum detalhe dos planos da pasta comandada pelo general Eduardo Pazuello.

Especialistas afirmam que há falta de interesse do governo, especialmente do alto escalão do Ministério, em compreender a situação da epidemia por meio de pesquisas continuadas.

A UFPel, que fez as três primeiras fases do inquérito no País – considerado o maior do mundo na época –, precisou buscar por outras fontes de financiamento e publicou, com um atraso de dois meses, a quarta fase da pesquisa.

Apesar de ter conseguido angariar os fundos, o reitor da universidade lamenta o período de apagão de monitoramento nos meses em que a média diária de mortes estava em cerca de mil pessoas. [veja mais abaixo]

Com o encerramento do contrato, que foi firmado na gestão do ministro Luis Henrique Mandetta, o Ministério da Saúde alegou que planejava trabalhar com a base de dados da PNAD COVID-19, a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios feita pelo IBGE, para medir os impactos da pandemia na renda, emprego, moradia e saúde da população.

“O Ministério da Saúde está trabalhando em conjunto com o IBGE para que seja realizado, a partir da amostra da PNAD COVID-19, um inquérito de soroprevalência de COVID-19 com o objetivo de estimar a prevalência da infecção pelos vírus SARS-CoV2 em residentes das capitais, unidades federadas e regiões do país”, diz a pasta.

O IBGE afirma que “não tem nenhuma informação” sobre a suposta parceria planejada. Além disso, o órgão confirma que a PNAD COVID-19 continuará por telefone. Isso impediria a aplicação de testes para identificar a porcentagem da população que foi ou não infectada pelo vírus – o cerne do inquérito sorológico.

Fontes ouvidas por CartaCapital afirmam que, quando o governo mencionou a parceria, a notícia gerou apreensão dentro do IBGE por não vir acompanhada de mais detalhes sobre possíveis protocolos de segurança para os entrevistadores.

Os órgãos chegaram a trabalhar em conjunto para a elaboração da Pesquisa Nacional de Saúde, publicada em 2013. Para a efetividade da pesquisa, porém, foram publicadas portarias para especificar como os entrevistadores seriam treinados a fim de obter as informações corretas com a população.

Nos questionamentos da PNAD COVID-19, são listadas onze perguntas que dizem respeito ao coronavírus. Entre elas, aborda-se sintomas comuns da Covid-19 e o caminho do cidadão pelo sistema de saúde – se ele procurou atendimento médico e fez testes para o coronavírus, por exemplo.

Mesmo com a confiança no IBGE, um dos órgãos públicos mais respeitados em pesquisas do País, o epidemiologista Eliseu Waldman afirma que a realização de testes sorológicos é imprescindível para detectar aqueles que não sabem se foram contaminados com o coronavírus, já que os que sabem estão contemplados nas estatísticas oficiais das secretarias de Saúde.

“O inquérito historicamente pega os indivíduos que tiveram contato [com o vírus] independente de uma manifestação clínica. Esse é só mais um marcador da falta de integração [do Ministério da Saúde], porque eles não assumiram o papel de Ministério, que era coordenar todo o enfrentamento da pandemia com os estados e municípios. Quando isso não existe, cada estado e município faz o que quer”, analisa Waldman.

UFPel continuou estudo, mas com buraco de dois meses

Depois que o governo não manifestou interesse em continuar com o grupo de pesquisa da UFPel, a universidade foi buscar outros meios de financiamento. Conseguiu com o grupo Saúde para Todos, ligado ao Itaú Unibanco, e com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de S. Paulo (Fapesp).

Na segunda-feira 14, os pesquisadores publicaram a quarta fase da EPICOVID19, cujo resultado mostra uma desaceleração da epidemia na maior parte do Brasil. O inquérito entrevistou e testou 33.250 participantes de 133 cidades, e foi conduzido entre os dias 27 e 30 de agosto.

Pedro Hallal, reitor da UFPel, explica que a intenção da pesquisa sempre foi “estimar a proporção da população infectada pelo coronavírus em cada momento da coleta de dados” sem contar com as estatísticas oficiais, consideradas incompletas.

“A gente sempre teve o interesse de avaliar a evolução da infecção como se fosse uma sequência de fotografias ao longo do tempo. Mas, desde a terceira fase da pesquisa ainda no mês de junho, o Ministério não fez outros movimentos de inquéritos sorológicos de âmbito nacional. A gente lamenta muito, é uma decisão completamente equivocada. Isso faz com que o governo siga avaliando a pandemia com base nas estatísticas oficiais, que têm bastante limitações”, analisa Hallal.

O reitor ainda afirma que a conversa de estabelecer uma parceria com o IBGE foi abordada em março, quando começaram as negociações para as três primeiras fases do levantamento. No entanto, a ideia foi descartada. “Naquele momento, se pactuou entre o Ministério e o IBGE que era melhor fazer uma pesquisa nova com outra base amostral”, relembra.

Hallal ainda mantém os esforços para seguir com a EPICOVID19 ativa até depois de uma vacina, esperada por muitos para o ano que vem, e continua com a pesquisa estadual no Rio Grande do Sul, que avança para a oitava fase.

No âmbito nacional, Pedro Hallal diz se preocupar com o fato do alto escalão da pasta de Saúde “não entender muito bem o que fazer com os dados” e acredita que, nas condições ideais, a vacina não pode interromper o monitoramento da Covid-19 na população, e sim fazer parte da estratégia de imunização dos brasileiros.

“Quando tiver a vacina, será super importante fazer pesquisa sorológica pra saber se a vacina conferiu imunidade, e a quantidade de anticorpos que as pessoas produziram. É uma lástima que não tenhamos inquéritos liderados pelo Ministério”, diz.

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