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Diarioweb (São José do Rio Preto)

Governador vem a Rio Preto e dá inicio a testes

Publicado em 23 junho 2016

Foi dada a largada para a última fase dos testes da vacina contra a dengue em Rio Preto. O governador Geraldo Alckmin esteve na cidade para dar início aos testes. Duas pessoas receberam as doses nesta manhã. Eles fazem parte de um grupo de 1,5 mil voluntários.

O governador atrasou em mais de uma hora sua chegada, que estava marcada para as 9h30. Ao chegar, ele foi abordado por grevistas do Detran e do Procon, com faixas e cartazes.

O governador também anunciou recursos para o Hospital Dia e para a Santa Casa de Rio Preto. Ele também disse ser favorável à criação da região metropolitana de Rio Preto

Seis meses após a Anvisa liberar os testes em humano da primeira vacina nacional contra a dengue, as doses começam a ser aplicadas em voluntários de Rio Preto nesta quinta-feira, dia 23, na Unidade Básica de Saúde (UBS) da Vila Toninho. O Diário já havia publicado com exclusividade, em dezembro do ano passado, que a cidade seria uma das escolhidas para testar a imunização. Rio Preto é a única cidade do Interior a participar dos testes e a segunda a começar o ensaio clínico. Por enquanto, os testes começaram apenas em São Paulo.

A vacina brasileira será testada também em Manaus (AM), Porto Velho (RO), Boa Vista (RR), Aracaju (SE), Recife (PE), Fortaleza (CE), Brasília (DF), Cuiabá (MT), Campo Grande (MS), Belo Horizonte (MG) e Porto Alegre (RS). Os primeiros voluntários a receber as doses estiveram na UBS Vila Toninho nesta quarta-feira, dia 22. Assinaram o termo de voluntariado e discutiram como seria esse início de vacinação. As vacinas começarão a ser aplicadas no período da manha, após cerimônia com o governador Geraldo Alckmin, o secretário de Estado da Saúde, David Uip, e o diretor do Instituto Butantan, Jorge Kalil, além de autoridades locais, com previsão de começar às 9h30.

Voluntários

No total, serão aplicadas 1,5 mil doses, todas em voluntários da Vila Toninho, bairro que possui um dos maiores índices de casos de dengue da cidade. Os testes serão feitos por profissionais da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (Famerp). A faculdade tem acordo de cooperação técnica com Instituto Butantan, que desenvolveu a vacina. Das 1,5 mil pessoas, mil vão receber a vacina e outras 500 receberão placebo (simulação da vacina, mas sem efeito). Nos próximos cinco anos, o grupo de pesquisadores acompanhará a população vacinada para saber a eficácia da vacina.

O pesquisador Maurício Lacerda Nogueira, chefe do Laboratório de Virologia da faculdade e coordenador da pesquisa em Rio Preto, afirma que a cidade foi escolhida por ter alta incidência de casos de dengue e por ter um sistema de saúde estruturado. Neste ano, o município já soma 11.396 casos de dengue e uma morte pela doença. “Durante o período de estudos da vacina, vamos comparar os casos de dengue entre os pacientes que receberam a vacina e o placebo e entender o comportamento da imunização em cada um.

A partir daí, teremos os primeiros resultados para medir a eficácia”, disse Nogueira. Os moradores aprovaram a notícia. “Demoraram para fazer isso. A dengue é uma doença que há muito tempo tem matado gente em Rio Preto”, disse a dona de casa Ivone Barburo. A autônoma Belonice Fiorentino Gomes Menguini, 60 anos, aguarda ansiosa pela vacina. “Já fiquei três dias internada com dengue. Sei o quanto é ruim essa doença”, disse.

 

A vacina

 

A vacina desenvolvida pelo Butantan é tetravalente, ou seja, em apenas uma dose garante proteção contra os quatro tipos de dengue. Já foram feitos testes clínicos em duas fases, e os resultados foram considerados excelentes pelo Instituto. Nessa terceira fase, os testes serão em humanos. A liberação da Anvisa saiu no dia 11 de dezembro de 2015, mas os testes começaram só agora porque o Instituto precisa de tempo para organizar a aplicação das doses, em quem seria, e quem acompanharia os pacientes. Em Rio Preto, os testes aproveitaram a estrutura montada pela Famerp para estudar a dengue na Vila Toninho. Os profissionais já fizeram visitas à população e selecionaram voluntários.

 

Metade do bairro já contraiu dengue

 

Pesquisa inédita da Famerp, que está mapeando o poder do Aedes aegypti - transmissor da dengue -, identificou que metade dos entrevistados já teve dengue alguma vez na vida. Foram entrevistados 1,5 mil moradores da Vila Toninho e o resultado mostrou porque o bairro é líder em casos da doença. Desse total, metade afirmou que já pegou dengue. O questionário é apenas parte do estudo. Os pesquisadores estão montando armadilhas e capturando o mosquito transmissor para saber qual o vírus circulante e o comportamento do mosquito.

Eles também coletaram sangue das pessoas que foram infectadas para saber qual foi o sorotipo que as atingiu. O objetivo principal é acompanhar os casos suspeitos e confirmados de dengue, além de estudar o mosquito e o conhecimento da população sobre a doença. Em setembro, a Faculdade vai tentar ampliar essa conscientização da população com uma campanha no bairro que vai orientar sobre as maneiras de evitar a proliferação do Aedes. No ano que vem, outros 500 moradores serão entrevistados em uma nova etapa do estudo.

 

Zika e chikungunya

 

O estudo atual só visa a dengue, mas a partir do ano que vem será direcionado também para zika e chikungunya, duas doenças também transmitidas pelo Aedes e com grande risco de provocar epidemias em Rio Preto. De acordo com a Famerp, a Fapesp é que vai oferecer o apoio financeiro para ampliação da pesquisa. O valor financeiro do apoio e detalhes dessa ampliação do estudo não foram divulgados, porém deve ser semelhante ao que está sendo realizado com relação à dengue.

 

Como será em Rio Preto

 

Em Rio Preto, será testada em 1,5 mil pessoas

A Famerp, em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde, selecionou pacientes da UBS Vila Toninho

Podem participar mulheres e homens com idade entre 18 a 59 anos sem importar se já tiveram dengue ou não

A participação do paciente será voluntária

Todos os selecionados receberão a vacina, parte deles com a vacina verdadeira e outra parte com a vacina sem o vírus modificado, feito apenas de placebo (preparação neutra)

Esses pacientes serão acompanhados durante cinco anos para saber a eficácia da vacina