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Goma do cajueiro pode ajudar no tratamento de refluxo

Publicado em 28 junho 2017

O refluxo gastroesofágico afeta cerca de 12% da população mundial, e um polímero extraído do caule do cujueiro (Anacardium occidentale), pode-se tornar uma ferramenta importante para o tratamento desta doença.

Resultados da pesquisa foram apresentados por Marcellus Souza, professor do Departamento de Medicina Clínica da Universidade Federal do Ceará (UFC) e ex-bolsista de doutorado da FAPESP, durante o Third International Symposium on Inflammatory Diseases (INFLAMMA III).

O evento foi realizado entre os dias 21 e 23 de junho, em Ribeirão Preto, pelo Centro de Pesquisa em Doenças Inflamatórias (CRID) e pela Sociedade Brasileira de Inflamação (SBIn).

“Nos testes feitos com tecido de 33 pacientes, obtidos por meio de biópsia, observamos que a goma do cajueiro adere profundamente às células do esôfago, formando um biofilme e aumentando a resistência contra os danos causados pelo ácido gástrico. Nossa hipótese é que, além de conferir proteção tópica, o polímero também tenha ação anti-inflamatória”, disse Souza à Agência FAPESP.

A descoberta foi possível graças a um modelo experimental desenvolvido na UFC capaz de mimetizar em camundongos a forma mais prevalente da doença: o refluxo gastroesofágico não erosivo. O método foi descrito em um artigo publicado no dia 8 de junho no American Journal of Physiology.

“Entre 60% e 70% dos pacientes com refluxo apresentam o fenótipo não erosivo da doença. Embora tenham sintomas como azia, o exame de endoscopia não indica a existência de lesão no tecido do esôfago”, explicou Souza.

Com o objetivo de mimetizar essa condição nos animais, os cientistas realizaram um procedimento cirúrgico para amarrar o piloro – válvula que controla a passagem do conteúdo gástrico para o duodeno. Além disso, amarraram o fundo do estômago, para impedir o órgão de se expandir.

“Desse modo, o estômago fica cheio, não consegue aumentar seu volume e isso faz com que ocorra o retorno do conteúdo gástrico para o esôfago. Cerca de três dias após o procedimento, a inflamação no tecido atinge o auge. Também é possível observar uma dilatação nos espaço entre as células do esôfago, o que causa um comprometimento da barreira epitelial característico da doença”, contou Souza.

Em um dos grupos de camundongos, os pesquisadores iniciaram, logo após o procedimento cirúrgico, um tratamento por via oral com a goma purificada do cajueiro. O polímero foi obtido graças a uma colaboração com pesquisadores da Universidade Federal do Piauí (UFPI).

Os animais receberam a terapia uma vez por dia durante uma semana. Ao final, foram sacrificados para que o tecido do esôfago pudesse ser analisado e comparado com o de animais não tratados.

“Nossos resultados mostram que a goma do cajueiro reduziu o edema e a permeabilidade do tecido. Ou seja, ao combater a inflamação, a terapia manteve íntegra a barreira epitelial, impedindo os ácidos gástricos de atravessar para a região abaixo do epitélio, onde podem ativar receptores envolvidos na sensação de dor [azia]”, explicou.

Em testes feitos in vitro, com biópsia de pacientes, o grupo também observou uma redução na permeabilidade do tecido do esôfago após o tratamento com a goma do cajueiro.

“No momento, estamos realizando estudos de toxicidade para avaliar a segurança e definir a dose ideal para que, futuramente, possam ser realizados ensaios clínicos com o polímero”, afirmou Souza.

Fonte: Pfarma