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Jornal Brasil

Goldemberg recebe prêmio em reconhecimento às suas pesquisas em energia

Publicado em 24 setembro 2015

O presidente da FAPESP, José Goldemberg, recebeu na terça-feira (22/09) o Prêmio 40 Anos de Etanol 1975-2015, outorgado pela Datagro Consultoria Agrícola. O prêmio foi entregue durante a 15ª Conferência Internacional sobre Açúcar e Etanol, em São Paulo, que teve como tema central os desafios e oportunidades e o planejamento para o futuro.

A premiação é um reconhecimento à contribuição de personalidades de diferentes áreas ao setor sucroalcooleiro nacional. A concessão foi feita para marcar as quatro décadas do Programa Nacional do Álcool (Proálcool), iniciado em 1975, que incentivou a pesquisa sobre o uso de álcool produzido a partir de cana-de-açúcar como combustível para veículos automotores e o desenvolvimento de novas tecnologias para o setor automotivo, o que possibilitou a produção do biocombustível em larga escala.

Doutor em Ciências Físicas pela Universidade de São Paulo (USP), Goldemberg foi classificado pelos integrantes do prêmio como maior cientista brasileiro do setor de energia, por ter identificado as vantagens do etanol por seu elevado valor energético positivo e a redução de custos pela curva de aprendizagem. “Recebo essa homenagem como um reconhecimento a todos os cientistas que colaboraram para a realização do programa do etanol no Brasil. Etanol é, no fundo, energia solar liquefeita”, declarou, lembrando o processo de pesquisa desde sua primeira análise, em 1978.

Além da carreira como pesquisador, Goldemberg foi presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e reitor da USP, ocupando ainda os cargos de secretário de Meio Ambiente do Estado de São Paulo e de secretário de Ciência e Tecnologia e secretário de Meio Ambiente no Governo Federal, tendo sido também ministro da Educação. Em 2008, também foi agraciado com o prêmio Planeta Azul, concedido pela fundação japonesa Asahi Glass a personalidades que se destacam em pesquisa e formulação de políticas públicas na área ambiental.

Ao todo, foram homenageadas 26 personalidades que fizeram parte da história de pesquisa, produção e distribuição do etanol no Brasil, nos últimos 40 anos, influenciando em questões ambientais, industriais, políticas, econômicas e de saúde.

Também foram premiados Lamartine Navarro Jr., propositor e pioneiro do Proálcool; Paulo Hilário Nascimento Saldiva, por suas pesquisas sobre a vantagem do etanol na saúde humana; Gyorgy Miklos Böhm, entre outros pesquisadores, além dos empresários Homero de Arruda Filho, Jairo Mendes Balbo, Maurílio Biagi Filho, produtores, gestores e líderes do setor sucroalcooleiro brasileiro.

O evento contou, em sua abertura, com a presença do secretário de Estado da Agricultura e do Abastecimento de São Paulo, Arnaldo Jardim, e da ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Kátia Abreu, e durante dois dias reuniu palestrantes internacionais que falaram sobre diferentes aspectos da cadeia produtiva do álcool, e de seu papel na economia brasileira e mundial, envolvendo pesquisa, produção e distribuição.

Plinio Mario Nastari, presidente da Datagro, acredita no potencial crescente do uso de etanol em todo o mundo, com vantagens para o etanol brasileiro em termos de pesquisa, produção e distribuição.

“Um país que, ao longo de quatro décadas, consegue substituir bilhões de barris de petróleo, bilhões de litros de gasolina e milhões de toneladas equivalentes de gás carbônico, ajudando a melhorar as condições ambientais e de saúde pública, não pode ter dúvidas do papel do etanol em sua economia”, disse. Como exemplo desse potencial, ele citou o aumento no volume de etanol consumido na China, que multiplicou por nove nos últimos doze meses.

Desde 1985 a Datagro tem assessorado o governo brasileiro em iniciativas relacionadas com planejamento energético, desregulamentação do setor sucro-alcooleiro e negociações internacionais do comércio de commodities agrícolas, além de atuar pelo desenvolvimento de iniciativas na área de biocombustíveis em diferentes países.

De acordo com a empresa, em quatro décadas foram gerados 1,1 milhão de empregos diretos, houve 42% de substituição de gasolina, com 2,41 bilhões de barris de gasolina substituídos, o que gerou uma economia de US$ 381 bilhões e a redução na emissão de mais de 800 milhões de toneladas de gás carbônico equivalente.

Fonte Agência FAPESP