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Correio Popular

Gleba é semente para a "cidade inteligente"

Publicado em 16 dezembro 2018

A Fazenda Argentina — uma área de 1,4 milhão de metros quadrados, no Polo II de alta tecnologia de Campinas (Ciatec)— tem tudo para se transformar em um distrito de inovação e conhecimento.

A gleba, adquirida pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) ainda em 2014, integra um plano ousado do governo paulista, que pretende concentrar, no mesmo espaço, empresas de tecnologia, startups e faculdades. Trata-se da semente de um projeto ainda maior, a criação da smart city (cidade inteligente), denominação de um núcleo sustentável que, ao mesmo tempo, vai gerar pesquisa, soluções criativas e riqueza. De acordo com Marco Aurélio Pinheiro Lima, diretor executivo de planejamento integrado da Unicamp, o projeto foi apresentado — e já aceito —pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), que deve torná-lo viável.

Os idealizadores também contam com investimentos do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), que, a fundo perdido, deve financiar o planejamento. Lima estima que, nos primeiros seis meses de 2019, serão traçadas as diretrizes do masterplan do distrito. Depois da aprovação de todos os envolvidos (institutos de pesquisa, conselhos universitários, Prefeitura, proprietários de glebas vizinhas...), serão iniciadas as obras, com a participação de investidores. Assim como a Fazenda Argentina, faz parte do projeto a área da Ceagesp, maior entreposto atacadista do Estado, que toma 650 mil metros quadrados de terreno na Capital.

Lá também vai haver um distrito de inovação. Nos dois casos, o núcleo estará próximo de áreas importantes de produção do conhecimento. Em Campinas, entre os vizinhos estão a Unicamp, a PUC-Campinas, o Centro Nacional de Pesquisas em Energia Materiais (CNPEM) e o Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPqD). Em São Paulo, o núcleo estará próximo da Universidade de São Paulo (USP), do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) e do Instituto Butantã.

No caso da Capital, a implantação do núcleo de inovação implica na transferência do entreposto para outra região da cidade.

Custos

Ainda é cedo para se estimar o custo de implantação do hub sustentável da Fazenda Argentina, assim como o período de maturação do projeto. Mas não faltam exemplos de iniciativas semelhantes bem-sucedidas no mundo. Os núcleos criados em cidades como Boston, Barcelona, Toronto, Bueno Aires e Medellín, por exemplo, se tornaram viáveis com o envolvimento de organismos públicos e privados. A participação de investidores é essencial. Universidades e instituições de pesquisa também precisam estar articuladas.

O fato é que a interação muda a paisagem das cidades. No caso de Barcelona, a proposta ganhou força a partir de 1990, com a transformação de um polo de manufatura obsoleto por outro, voltado à chamada “nova economia”. À reboque das transformações urbanas dos Jogos Olímpicos, a cidade lançou um núcleo tecnológico que nunca parou de crescer, e já tem mais de 4 mil empresas. Os distritos agora sonhados para o Brasil serão “concentrados de cidades”, ou seja, um espaço pequeno que vai potencializar a interação entre os provedores de conhecimento.