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Gestão da inovação: Complicar para quê?

Publicado em 08 novembro 2011

Marcelo Nakagawa - Professor e consultor de empreendedorismo e inovação

A inovação é a Terra Prometida das empresas e há muitos profetas que dizem saber o caminho até lá. Para isto inventam palavras estranhas e importam termos em inglês de difícil tradução para o nosso idioma. Mas será que não dá para descomplicar? Vamos tentar...

Primeira simplificação: O que é inovação? Sua resposta precisa começar com "depende". Pois a definição depende do contexto. Há a "inovação de conversa de boteco" onde qualquer novidade é uma inovação. Pediu um suco de melancia com manga que não tinha no cardápio, inovou!

Há a "inovação na sua empresa". Cada organização precisa ter a sua própria definição para conseguir gerenciar suas inovações. Caso contrário, qualquer novidade será inovação de boteco. Mas tem a "inovação para captação de recursos".

Diversas entidades como BNDES, Finep e Fapesp oferecem recursos "de graça" para a sua empresa inovar. Mas aqui não vale seu suco e o que a sua empresa contabiliza como inovação. Cada entidade do fomento tem a sua definição de inovação.

Cabe a você conseguir ajustar a sua inovação naquilo que é aceito pela instituição. E por fim, tem a "inovação legal". A Lei do Bem dá diversos incentivos para empresas que investem em inovação. Tome o seu suco, mas caracterize o que você chama de inovação com aquilo que é previsto em lei.

Segunda simplificação: Como gerir a inovação? Primeiro definindo os propósitos para inovar. Inovar por quê, para quê? Quais as métricas que serão avaliadas e como contribuem para a missão, principalmente visão futura do seu negócio?

Muitas empresas querem "inovar" porque está na moda ou porque há dinheiro oferecido pela Finep. Nestas situações, voltamos para a inovação de boteco. Se os propósitos estiverem definidos é hora de pensar nos processos de inovação, começando pelo que ficou conhecido como funil de inovação.

O funil se inicia com a etapa de geração de ideias, passando pela fase de seleção e priorização de oportunidades, planejamento e gestão de projetos de inovação, implementação dos projetos e avaliação e lições aprendidas.

Nos últimos anos, diversas técnicas (com nomes complicados) têm tornado o funil mais eficiente. Para os estágios iniciais do funil entraram em cena o Open Innovation (que abre o funil para parceiros, clientes, fornecedores, entre outros) e Design Thinking (que tenta antecipar a experiência final do projeto de inovação por meio de protótipos) que podem ajudar na geração e seleção de ideias e oportunidades.

E nas etapas finais, tecnologias ágeis como o Scrum (técnica flexível de gestão de projetos) e Lean Startup (técnica interativa de criação de novos negócios) podem ser importantes na redução das altas taxas de fracasso observadas em projetos de inovação. Não há processos sem pessoas. É preciso incentivar o empreendedorismo nos colaboradores e parceiros.

E por fim, é preciso consolidar políticas de incentivo à inovação que considerem o tema no momento da contratação, da avaliação de desempenho e na promoção de cada membro da empresa.

Terceira: Não há Terra Prometida. Boa parte dos resultados da inovação é aqui e agora. Inovação para a maioria das empresas brasileiras é redução de custo pela melhoria de processos e ganhos de qualidade e eficiência, e aumento de receitas pela expansão para novos mercados e produtos melhorados.

Marcelo Nakagawa é professor e consultor de empreendedorismo e inovação