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Gesso com fosfato permite construção de menor custo

Publicado em 28 dezembro 2004

Por Paula Posi
Industrializar a construção civil. Esse é o objetivo do projeto de aprimoramento do gesso desenvolvido pelo Instituto de Física de São Carlos. "A casa que se faz no Brasil hoje é muito pesada, e isso tem um custo muito alto", afirma o professor Milton Ferreira de Souza, coordenador das pesquisas. Para isso, eles estão desenvolvendo processos para a fabricação de um material com resistência, muitas vezes, superior ao cimento. Eles contam com apoio do Programa de Tecnologia de Habitação (Habitare) da Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP) e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP); que juntos disponibilizaram quase R$ 1 milhão para o projeto. O Finep apóia pesquisas para tentar desenvolver novos produtos, estudo e avaliações. "Nosso grande objetivo é a redução de custos na construção voltada para a população carente", afirma a técnica de projetos e programas do Habitare Ana Maria Nogueira de Souza. No entanto, ela ressalta que nem todas as inovações promovem abatimento de despesas quando concluídos. "Depois de cinco anos, pode-se chegar à conclusão de que a inovação não vai reduzir custos. No entanto, ela pode não agredir o meio-ambiente, e isso já é de grande valor no mercado." O Programa Habitare existe há dez anos e já apoiou mais de 100 projetos em todo País. "Acabamos de contratar 24 projetos do último edital", diz Ana Maria. A técnica afirma que para o desenvolvimento dessas pesquisas eles contam com R$ 3,4 milhões. Desses. R$ 400 mil são provenientes da caixa Econômica Federal e R$ 3 milhões do fundo verde-amarelo — que determina que 30% das pesquisas sejam destinadas às Regiões Norte. Nordeste e Centro-Oeste. Projetos O emprego do gesso na construção civil se intensificou nos últimos anos com a substituição das divisórias internas na construção de casas. Entretanto, o consumo de material, estimado em 7 kg por habitante/ano, ainda é baixo quando comparado com a Argentina (20 kg por habitante/ano) e Estados Unidos (90 kg/ por habitante/ano). Segundo Milton Ferreira de Souza, isso acontece porque as pessoas ainda julgam o gesso como muito frágil. O professor explica que há duas formas de se obter o gesso. A partir de um minério chamado alabastro e através de um processo químico. "Nós conseguimos algo inédito, que foi endurecer o material utilizando somente uma técnica artificial", afirma. Com isso, o resultado foi um gesso com maior resistência de compressão, graças à adição de fosfato, o "fosfogesso". Ele diz que a redução de custo é imensa, porque o produto era considerado resíduo. "A produção desse material, ao contrário do cimento, não gera CO2 e pode ser totalmente reciclado, o que gera uma menor agressão ao ambiente", diz o professor. O projeto teve início entre agosto e setembro desse ano e está agora em fase de testes e construção de protótipos. "Já fizemos vários pisos e descobrimos uma maneira de fazer vigas sem a utilização de formas". Outra inovação que visa à redução de custos na construção civil é o projeto de sistemas de cobertura com uso de fibras vegetais e de outros resíduos misturados ao cimento. Essa pesquisa para a fabricação de telhas ganhou apoio do FINEP e a contribuição de US$ 250 mil. Estimativas indicam que o custo da cobertura é muito maior em habitações populares do que em edificações mais sofisticadas e pode atingir até 20% do preço total da construção. Além disso, soluções mais comuns, como o cimento-amianto, apresentam desvantagens em relação ao conforto térmico. As telhas cerâmicas também ficariam em desvantagem, uma vez que consumem muito material para a estrutura do telhado. No entanto, Holmer Savastano Júnior, coordenador do projeto, diz que ainda não pode calcular a redução de custo provocada pelo fibrocimento. As pesquisas sofreram uma interrupção esse ano, em detrimento de outras que eram mais urgentes. "Nossa equipe é pequena e não conseguimos tocar muitos projetos ao mesmo tempo." No entanto, o professor diz que espera retomar as pesquisas do fibrocimento em 2005.