Notícia

Diário do Nordeste online

Gerar tecnologia

Publicado em 18 julho 2008

As regiões geoeconômicas brasileiras mantêm níveis diversificados de desenvolvimento. Como não há investimentos continuados para corrigir as disparidades, o atraso daí resultante se acentua cada vez mais. Essa realidade se torna visível nos empreendimentos públicos e privados, na infra-estrutura logística do escoamento da produção e nos programas de educação, saúde, ciência e tecnologia.

Para reverter, em parte, esse quadro de desigualdades socioeconômicas, o Ministério da Ciência e Tecnologia está anunciando a criação de 50 institutos nacionais de Ciência e Tecnologia destinados a estimular o desenvolvimento científico e fortalecer a pesquisa no Norte, Nordeste e Centro-Oeste. As inversões iniciais alcançarão R$ 270 milhões, podendo chegar a R$ 400 milhões com a contrapartida de instituições como a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

O desenvolvimento se processa, essencialmente, com investimentos de longo prazo, informação e tecnologia. O governo está priorizando, nessa empreitada, 35% das dotações para os institutos dessas três regiões, sem embargo do financiamento de projetos inovadores dos centros avançados. Haverá parceria financeira correspondente ao interesse nas inovações tecnológicas centradas no Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Da equação destinada à cobertura financeira dos projetos participarão, também, a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), os Ministérios da Educação e da Saúde, além de empresas estatais. O primeiro projeto de impacto no desdobramento do PAC da Ciência e Tecnologia diz respeito a um supercomputador, capaz de colocar o Brasil entre os países avançados no estudo de mudanças climáticas.

A maioria dos institutos, cerca de 30, será selecionada para atuação em 13 áreas estratégicas: nanotecnologia; biotecnologia; biocombustíveis; energias renováveis; gás, petróleo e carvão; agricultura; Amazônia e biodiversidade; semi-árido; mar e Antártida; Programa Nuclear; Programa Espacial; meteorologia e mudanças climáticas; e saúde.

Essas linhas de pesquisa estão diretamente vinculadas a projetos constantes do plano de desenvolvimento nacional. A Amazônia está sendo partilhada para ocupação por grupos interessados em explorá-la, sem que o governo tenha a exata dimensão de suas riquezas minerais estratégicas e do aproveitamento da biodiversidade como matérias-primas para as indústrias farmacêutica, de cosméticos e de alimentos.

Nesse propósito de aproveitamento das riquezas ambientais, os nativos da floresta têm tradição no uso de produtos fitoterápicos.

Na maior parte dos Estados do Norte, há institutos de pesquisas e de produção de fitoterápicos, de baixo custo, empregados na assistência médico-ambulatorial, os quais poderiam se expandir pela rede de farmácias populares mantidas pelo poder público.

Investir em ciência e tecnologia é acelerar o desenvolvimento do País pelo caminho mais seguro.