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Geólogos pesquisam jazidas minerais por meio de satélites

Publicado em 16 abril 2003

A prospecção de campo, com base em mapas geológicos e amostragem de solos e rochas, já não é a única alternativa para a localização de jazidas minerais, no Brasil. A avaliação remota de concentrações minerais importantes, a partir de sensores aerotransportados ou instalados a bordo de satélites, está em vias de se tornar uma ferramenta complementar operacional, capaz de reduzir custos e prazos na busca de novas jazidas. "Trabalhamos primeiro na montagem de uma biblioteca de assinaturas espectrais de ultra detalhe dos diversos minerais metálicos de interesse, como ouro, platina, chumbo, zinco, cobre", conta o engenheiro geólogo Carlos Roberto de Souza Filho, diretor do Departamento de Geologia e Recursos Naturais do Instituto de Geociências da Universidade Estadual de Campinas (IGE—Unicamp). Com a colaboração do geólogo Álvaro Crosta, também da Unicamp, Souza Filho montou o Laboratório de Espectroscopia de Reflectância, financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), a um custo de US$ 100 mil, mais cerca de US$80 mil para custeio das pesquisas. Como explica, assinatura espectral é a forma característica de cada mineral refletir e/ou interagir com a luz solar, registrada numa imagem. As assinaturas de cada mineral vem sendo obtidas a partir de análises feitas no aparelho que dá nome ao laboratório — o espectrômetro de reflectância — com ajuda de softwares, desenvolvidos na Unicamp, para adequação aos tipos de solos e rochas brasileiros. Depois de constituir a biblioteca de amostras, com as assinaturas espectrais, os pesquisadores passaram a avaliar a possibilidade de reconhecer o mesmo tipo de resposta em imagens produzidas por sensores remotos, o que indicaria a presença das jazidas. Algumas identificações iniciais foram realizadas em áreas desérticas do Peru e da Argentina, onde a ausência de vegetação facilita a calibragem do sistema. Em seguida, foram feitas avaliações em jazidas de Carajás (PA), Itacambira, Monte Azul e Quadrilátero Ferrífero (MG), Parecatu (DF), Alto Paraíso (GO), Castro (PR) e Itapicuru (BA).