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Genro apóia projeto de laptop a US$ 100 na rede pública

Publicado em 12 julho 2005

Brasília - O ministro da Educação e atual presidente do PT, Tarso Genro, manifestou interesse em distribuir o laptop de US$ 100 para os alunos da 1ª série fundamental das escolas públicas. Segundo Tarso, se o projeto for aprovado, o Ministério da Educação e Cultura (MEC) distribuiria os computadores portáteis primeiro para o ensino básico, e só num segundo momento estenderia para o nível médio.
"O laptop se enquadra perfeitamente entre o material escolar do qual somos distribuidores", disse o ministro. "O laptop entra fazendo a síntese entre o material escolar e a oferta de programação e de conteúdo." Tarso acrescentou: "Temos de transformar isso numa política de Estado, não só de governo."
Atualmente, o MEC gasta R$ 60 milhões por ano com livros, distribuídos a 30 milhões de alunos da rede pública. Se a proposta for aprovada pelo governo, a idéia é iniciar com um projeto-piloto de 1 milhão de computadores que depois se estenderia para o restante da rede.
A reação do ministro empolgou o diretor do Media Lab, Nicholas Negroponte, que apresentou a proposta a Tarso e a seus assessores. "Normalmente, os políticos não se interessam pelo ensino básico, porque só dá resultado dentro de 20, 40 anos", disse ele. Segundo Negroponte, o Media Lab, que oferece a tecnologia sem cobrar royalties nem patentes, vai agora se dedicar a um protótipo especialmente para crianças da 1ª série.
O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Luiz Furlan, que também recebeu os especialistas do Media Lab, determinou que sua equipe faça um levantamento da capacidade da indústria brasileira de fabricar componentes para o laptop. O País tem 62 fabricantes registrados de computadores e componentes. A idéia é fabricar o maior número possível de componentes no Brasil.
O Media Lab tem apresentado a proposta em outros países, como China, Bangladesh, Egito, Colômbia e áfrica do Sul. Aqueles que não tiverem condições de fabricar os laptops poderão importar do Brasil. "O Brasil pode se tornar o centro gravitacional desse projeto", disse Negroponte.
Depois de ouvir a apresentação de Negroponte, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva determinou a formação do grupo e deu 29 dias para elaborar um plano de trabalho. No fim de julho, Negroponte voltará ao Brasil para discutir o plano. O diretor do Media Lab apresentou a proposta em fevereiro, na reunião de Davos.
A proposta foi apresentada também ao secretário municipal da Educação de São Paulo, José Aristodemo Pinotti; ao ex-ministro da Educação Paulo Renato Souza e a representantes da Secretaria Estadual de Educação, da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Pinotti demonstrou interesse em adotar a iniciativa no município de São Paulo.