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Correio Popular

Genoma reduz insumos para cana

Publicado em 04 junho 2000

Por PAULO EMIRANDETTIJR - pauloj@cpopular.com.br - ESPECIAL PARA O CORREIO
Um projeto financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) em parceria com a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) está mapeando todos os genes da cana-de-açúcar. Intitulado Projeto Genoma, o estudo pretende mapear os genes responsáveis pela resistência da planta a fungos e vírus, e também os que desencadeiam uma produção maior de álcool e açúcar. Para manter os custos da pesquisa, a parceria entre a fundação e a universidade teve um investimento de R$8,5 milhões. A previsão é de que a pesquisa seja finalizada em três anos. No entanto, em menos de um mês, os pesquisadores já identificaram 95% da formação genética da planta, o que equivale a 42 mil genes. Segundo o coordenador da pesquisa, professor do Centro de Biologia Molecular da Unicamp, Paulo Arruda, o estudo pode eliminar os custos da aplicação de insumos nas plantações de cana. Ele também destaca a possibilidade da criação de novos derivados de açúcar. "Estamos elaborando um projeto importante, que pode desenvolver novos produtos para a agroindústria", argumenta Arruda. Segundo o professor, o projeto é de grande importância para Brasil. Ele argumenta que a ampliação do conhecimento genético sobre cana-de-açúcar é fundamental para a economia nacional porque o Brasil é o maior produtor de cana-de-açúcar, responsável por 25% da produção mundial. Desse total, 60% saem do Estado de São Paulo, onde a cana movimenta negócios na ordem de R$ 8 bilhões por ano e é responsável por 600 mil empregos diretos. O estado é líder | mundial em produtividade de cana-de-açúcar, obtendo o menor custo de produção do mundo, e importante ex-' portador do produto. Arruda destaca que os resultados da pesquisa na; cana-de-açúcar também' servem para avaliar gramíneas como milho, trigo e sorgo, por pertencerem ao mesmo quadro genético. Portanto, não será necessário investimento para pesquisar esses produtos. "A mesma classe de genes permite que a pesquisa se estenda também para esses produtos", explica. ESTADO PRODUZ 70% DO ÁLCOOL A lavoura de cana-de-açúcar no Estado de São Paulo é responsável por cerca de 70% da produção nacional de álcool. O volume equivale a 8,4 bilhões de litros, contra 12,7 bilhões que são produzidos em todo o País. Na região de Campinas, o volume produzido na safra 99/00 foi de 1,2 milhão de toneladas de cana, o que gerou 13 milhões de metros cúbicos de álcool. Ao todo, são' 150 agroindústrias e 11,5 mil agricultores, dos quais 93% são considerados pequenos produtores que sobrevivem da cultura da cana-de-açúcar. A cana é a primeira renda agrícola do estado, produzida em 2,8 milhões de hectares da área cultivada, que equivale a 14% da área do território paulista. Na safra 99/00, o estado produziu 194,2 milhões de toneladas de cana. O volume corresponde a 261,8 milhões de sacas de 50 quilos de açúcar e 8,4 bilhões de litros de álcool. Numa comparação com a safra 92/93, a produção paulista cresceu 45,92% na cana, 171,03% no açúcar e 9% no álcool. No caso do álcool, houve um crescimento de 56,57% na produção do produto anidro, utilizado na mistura com a gasolina e uma queda de 22,86% no hidratado, destinado ao carro a álcool, em virtude da queda de produção desse veículo. (PEJ) Co-geração extrai energia do bagaço O cultivo da cana-de-açúcar no Brasil vai além da produção de álcool e açúcar. Desde 1987, a Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL), com sede em Campinas, mantém um projeto de co-geração com usinas, que extrai energia do bagaço de cana. No mês passado, a CPFL aumentou sua cota de energia excedente comprada das usinas, capaz de gerar 160 mil megawatts-hora. O aumento foi 33% superior a 99, quando a empresa adquiriu 120 mil megawatts-hora de energia. A quantia é capaz de abastecer, durante um ano, uma cidade com aproximadamente 50 mil habitantes. Segundo a CPFL e os usineiros, o processo de produção de energia através da utilização de bagaço de cana não agride o meio ambiente, ao contrário das usinas hidrelétricas. O baixo custo neste tipo de investimento também é apontado como diferencial. Para diversificar suas fontes de energia, a empresa também investiu na compra de gás natural A CPFL comprou da Refinaria Paulínia (Replan) 58,7 mil megawatts-hora de energia. Representantes de oito usinas do interior do Estado de São Paulo, que participam do processo de co-geração, estiveram reunidos no mês passado na sede da CPFL em Campinas. O encontro serviu para anunciar a ampliação da quantidade de cana, além de anunciar novos parceiros para o projeto. Os usineiros reunidos, comentaram que o processo de co-geração incentiva a produção nacional de álcool e açúcar. (PEJ)