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O Povo

Genoma: o exemplo da Fapesp

Publicado em 02 agosto 2000

Por Francisco de Souza - Professor
Os paulistas podem até nem saber votar - Maluf, Quércia e Pitta são bons exemplos - mas certamente são campeões brasileiros de financiamento de pesquisa científica. Prova disso é o mapeamento do genoma da bactéria que ataca os laranjais, causando a praga do amarelinho, feito no Brasil e que foi capa da mais importante revista científica do mundo - a Nature, britânica - no Ultimo dia 13. Recado para quem administra C&T no país: dinheiro aplicado em pesquisa não é desperdício; usado com critério, é um bom investimento. Para viabilizar o projeto, que colocou o Brasil no seleto clube dos países que mapearam genomas (países Europeus, Estados Unidos e Japão), a Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) criou a rede Onsa, instituto virtual sem instalações físicas fixas ou corpo administrativo, com 192 pesquisadores, ligando 35 laboratórios por computador. O suco concentrado de laranja é o sexto produto da pauta de exportação do país e o segundo de São Paulo, com uma receita nacional de US$ 1,5 bilhão; por sua vez, a praga do amarelinho causa prejuízos anuais de US$ 100 milhões. Daí a importância deste investimento em pesquisa. A Fapesp investiu no projeto US$ 12,5 milhões em parceria com a Fundecitrus, organização de produtores beneficiados com a descoberta, que participou com US$ 500 mil. Para fechar o ciclo (transformar esse conhecimento básico em tecnologia) falta ainda que empresas de biotecnologia desenvolvam produtos para combater a praga do amarelinho. Outra vez a Fapesp dá o bom exemplo. No Ceará, deveriam ser financiados projetos de produtos da pauta de exportação, como a lagosta e o caju, ou com potencial para exportação, como a fruticultura irrigada. Ao contrário, parece haver uma tentativa não declarada de enfraquecimento da Funcap - projetos de fruticultura aprovados em abril, no irrisório montante de R$ 200 mil, até hoje não foram iniciados devido a burocracia da Secitece e da Sefaz. Resta parabenizar os paulistas pela proeza da Fapesp, na certeza de que seu exemplo mostre que nem só com Centecs e CVTs se faz ciência e tecnologia. Francisco de Souza é professor titular do curso de Mestrado em Irrigação e Drenagem da UFC e PhD em Engenharia Agrícola