Notícia

Correio do Estado (Campo Grande, MS)

Genoma do eucalipto sai logo

Publicado em 19 novembro 2001

São Paulo - O projeto que sequenciará o genoma do eucalipto será lançado em duas semanas, com a assinatura do contrato de parceria entre o consórcio que financiará parte da pesquisa e a Fundarão de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). A informação foi divulgada por José Fernando Perez, diretor-científico da Fapesp, durante uma apresentação sobre o Projeto Genoma na Federação do Comércio do Estado de São Paulo. Quatro empresas do setor de papel e celulose vão participar do projeto: Votorantim, Ripasa, Duratex e Suzano. A primeira fase do projeto está estimada em US$ 1 milhão. Ele seguirá os moldes do trabalho que a Fapesp desenvolveu para fazer o seqüenciamento do conjunto de genes da Xylella fastidiosa, bactéria causadora do amarelinho, doença que afeta os laranjais. Em ambos, houve parceria com entidades da iniciativa privada, que custearam uma parte dos estudos. O objetivo da pesquisa é identificar genes que possam ser usados no melhoramento do eucalipto, como, por exemplo, aumentando a qualidade da madeira, a produtividade, ou melhorando a absorção dos nutrientes. A Fapesp fará uma cerimônia para marcar o lançamento do projeto genoma do eucalipto. Os projetos de seqüenciamento do genoma da Fapesp despertaram o interesse de diversos setores produtivos. "Fomos procurados por um grupo que quer fazer o seqüenciamento de genes do boi", disse Perez. O seqüenciamento do amarelinho motivou o interesse do Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus), que financiou parte da pesquisa, em um futuro projeto do genoma da laranja. "Também temos sido procurados por empresas de capital de risco. Cerca de 15 a 20 delas estão em contato com a Fapesp para mapear as oportunidades de negócio, e uma boa parte está interessada em biotecnologia", completou. Ele citou como exemplo a empresa Gene Search, que foi criada como conseqüência dessa busca das empresas por novas áreas para investir capital. "O dono dessa empresa era de um banco de investimento que nos procurou há um tempo. Ele deixou o banco para abrir a Gene Search, que irá investir em projetos de biotecnologia", disse. "Vamos ter uma vigorosa indústria de biotecnologia, como tivemos com o caso da Embraer, só que temos mais vantagem competitiva por causa da nossa biodiversidade", previu. Perez também deu um balanço do que já foi obtido com a pesquisa envolvendo o seqüenciamento da Xylella fastidiosa. "Essa bactéria não era muito conhecida, e com o Projeto Genoma estamos tendo mais informações sobre a Xylella", afirmou. Os pesquisadores brasileiros descobriram, por exemplo, que a bactéria causadora do amarelinho "come" muito ferro, o que é importante para fazer a cultura da Xylella, ou seja, colocá-la em um meio em que se favoreçam sua reprodução e crescimento.