Notícia

Jornal de Piracicaba

Genoma-Cana descobre variedades

Publicado em 31 março 2000

Por Ana Paula Silva
Os principais pesquisadores do Programa Genoma da Cana, financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e Copersucar, farão hoje a segunda reunião de trabalho no Centro de Tecnologia da Copersucar, em Piracicaba. Este programa orçado em 8 milhões de dólares colocará o Brasil na liderança mundial em biologia molecular da cana-de-açúcar. Segundo o gerente de fitotecnia do Centro de Tecnologia da Copersucar e coordenador de cooperação internacional do Programa Genoma-Cana. William Lee Burnquist, as pesquisas já atraíram o interesse da Austrália. Cuba e Estados Unidos e um convênio com a França. O programa envolve 180 pesquisadores de 12 universidades e instituições de pesquisa do Estado empenhados em identificar e caracterizar 50 mil genes da cana-de-açúcar. Para isso, foram feitos a leitura de pelo menos 70 mil pedaços degenesdeumtotalde300mil necessários para que seja identificado o sequenciamento completo. "O seqüenciamento na cana é tão ou mais complicado que o do ser humano porque apesar de terá metade dos número de genes necessários para identificação do sequenciamento genético do ser humano, que é de cem mil, o DN A da cana consegue ser mais extenso. Isto ocorre pelo fato da cana ter uma série de informações repetidas chamadas lixo genético, que não nos interessam, mas que tem que ser identificadas, levando um tempo maior do que o esperado", explicou Burnquist. O interesse por ampliar ou conhecimentos genéticos da cana motivaram também uma parceria inédita entre a Fapesp e a Fundação de Pesquisa de Alagoas e à de Pernambuco. O programa previsto para três anos, começou há um ano e já identificou genes de produção de alguns tipos de açúcares que não são comuns em cana. "Não se esperava encontrar esse tipo de açúcar em cana", comenta Burnquist ao justificar que para a Copersucar interessam especificamente informações sobre genes referentes à síntese de açúcar. Burnquist explica que essas pesquisas vão levar para o produtor variedades mais resistentes e mais produtivas, além de permitira elaboração de produtos que hoje não são conhecidos. A metodologia do trabalho captura genes que estão expressos numa planta e os envia (amostras) para 23 laboratórios que fazem uma primeira "leitura" dos genes. Esta leitura é enviada para um laboratório de bioinformática da Unicamp e os genes físicos, depois de analisados, são arquivados em um laboratório da Unesp de Jaboticabal. Além dos grupos que estão "lendo e guardando" as informações dos genes, outros 12 grupos passam a estudar o conteúdo transmitido.