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IstoÉ online

Genialidade feita em casa

Publicado em 30 dezembro 2010

Por André Julião

No Tempo Certo

O relógio biológico, que informa seu cérebro de que é hora de comer ou dormir, também rege o ritmo de plantas como a cana-de-açúcar.

Esse é o objeto de estudo do biólogo da USP Carlos Takeshi Hotta, 31 anos. Ele já descobriu que 20% dos genes da espécie são controlados pelo mecanismo, dado que pode ser decisivo para a produção de etanol. Em 2003, graças a uma bolsa do Ministério da Educação, Hotta foi fazer seu doutorado na Universidade de Cambridge (Inglaterra). “A vivência no Exterior foi fundamental para eu poder chegar aonde estou”, diz. 

Na última década, cada vez mais pesquisadores brasileiros ganharam destaque na comunidade científica internacional. Em todas as áreas do conhecimento, homens e mulheres nascidos aqui – e, mais importante, que atuam no País – estão contribuindo para a cura de doenças, a criação de novos combustíveis, a busca de fontes alternativas de energia e a exploração de petróleo em áreas nunca antes exploradas. O crescimento da economia tem grande influência nessa revolução. Porém, apesar do otimismo, é preciso conter a euforia e investir no básico: a educação.

Embora o atraso ainda seja enorme, os números dão uma boa ideia da evolução da nossa produção científica. Entre 1997 e 2007, o número de artigos brasileiros em revistas especializadas mais do que dobrou. Somos o 13º país em publicações, ultrapassando nações ricas como Holanda e Suíça. As universidades daqui formaram em 2010 o dobro de doutores de 2001. Milhares de empregos foram gerados com a criação de 134 novos campi federais.

Um dos combustíveis para o avanço da ciência brasileira é o orçamento do Ministério da Ciência e Tecnologia, que saltou para R$ 7,6 bilhões em 2010 – em 2003, foi de R$ 2,6 bilhões. A expectativa para 2020 é de que possamos dobrar ou triplicar o número de estudantes e artigos científicos e nos colocarmos no top ten mundial. A maior parte dessa produção, no entanto, ainda está restrita ao Sudeste do País. Só a Universidade de São Paulo responde por quase um quarto de todas as publicações de artigos em revistas científicas. Os paulistas, ainda, dedicam uma fração fixa do orçamento estadual (0,5%) para a Fapesp (Fundo de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo). Para tentar corrigir tal disparidade, o governo federal tem construído mais universidades e destinado 30% dos fundos de pesquisa para Estados do Nordeste e Centro-Oeste.

De Volta Ao Lar

Ao estudar o cérebro de ratos, o neurocientista Fábio Papes, 35 anos, ajuda a desvendar problemas humanos como síndrome do pânico, estresse pós-traumático e esquizofrenia. Filho de uma família de classe média de Jundiaí (SP), graduou-se em biologia e fez o doutorado na Unicamp. Depois, cursou seu primeiro pós-doutorado na Universidade de Harvard (EUA) e voltou ao Brasil em 2006. “Trabalho em um laboratório tão bem equipado quanto os americanos”, diz o professor da Unicamp.