Notícia

Jornal da Tarde

Genética: uma arma contra o câncer

Publicado em 05 janeiro 2001

Por Daniela Tófoli
A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) já está estudando quais serão os tipos de câncer e os grupos de pacientes que irá acompanhar. O projeto é o Genoma Clínico e faz parte de um esforço mundial para conhecer melhor o corpo humano, permitindo a cura de doenças graves. "Nossos cientistas monitorarão ò desenvolvimento de casos de câncer com a coleta de informações genéticas de pacientes", explica o diretor-científico da fundação, José Fernando Perez. As pesquisas devem começar em fevereiro. "Vamos ajudar a melhorar a prevenção, o tratamento e o desenvolvimento de remédios que curem a doença." O projeto é possível porque os cientistas brasileiros já colocaram em ordem mais de um milhão de pedaços de genes dos tumores mais freqüentes no País. O trabalho elevou a posição do Brasil na comunidade científica internacional. Na área de identificação de genes humanos, os pesquisadores brasileiros estão atrás apenas dos americanos. Além do Genoma Clínico, a Fapesp está iniciando o projeto Transcriptoma Humano, que identifica outros genes humanos. "Só 3% do genoma humano possuem informações úteis. Vamos descobrir onde estão." Com isso, cientistas e médicos vão conhecer melhor a formação e o desenvolvimento do corpo e tratar mais doenças. "Esta é a parte mais complicada. É a fase prática da genética." Os avanços da pesquisa científica no Estado e os próximos objetivos foram anunciados ontem pelo governador Mário Covas. Ele lembrou que o Brasil também é líder internacional no seqüenciamento de pragas vegetais e que o maior projeto acadêmico do mundo para o seqüenciamento de genes de uma planta foi concluído pela Fapesp com o Genoma da Cana-de-Açúcar. CANA RESISTENTE O seqüenciamento da cana é mais um que partirá para sua etapa prática. Depois da identificação de mais de 80 mil genes da planta, o projeto deverá permitir, em dois anos, que seja produzida, pelo menos em laboratório, uma cana mais resistente a pragas e à seca. "Queremos ter uma planta mais forte, adequada ao clima e ao solo de cada região", explica Perez. Essa nova fase terá metade dos seus gastos pagos pela iniciativa privada. Também foi anunciado ontem o fim do seqüenciamento da Xanthomonas citri e a fase final da organização genética da Xanthomonas campestris, duas bactérias que provocam um prejuízo anual de R$ 110 milhões nos laranjais do Estado. "Agora somos o País do samba, do futebol e da genômica", comemora Perez. COMO SE DESCOBRE UM GENE - No ano passado, o DNA - o arquivo que define as características físicas de cada indivíduo - foi colocado em ordem em laboratórios de todo o mundo, formando o genoma humano. - De todo o genoma, apenas 3% possuem informações, que definem da cor dos olhos até as doenças congênitas. São os genes. - Neste ano, os cientistas brasileiros irão descobrir o que é gene e o que não é. - A partir daí será possível definir a função dos genes, entender melhor doenças como o câncer e buscar novos tratamentos.