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Jornal da USP online

Genética no cotidiano

Publicado em 08 junho 2015

Por Carolina Oliveira

Aptidão para esportes, inteligência e atração sexual. Tais características são definidas pelo DNA ou são mera opção de cada indivíduo? Esse é o questionamento lançado pelo Projeto Semear Ciência – uma iniciativa do Centro de Pesquisa sobre o Genoma Humano e Células-Tronco, ligado ao Instituto de Biociências da USP –, que espalhou pelo Metrô de São Paulo centenas de cartazes contendo a seguinte pergunta: “Está no DNA?”.

Os cartazes passaram a ser expostos em maio e permanecem em vagões e estações do Metrô até o final deste mês, graças a uma parceria entre o Semear Ciência e a empresa que rege o sistema metroviário paulistano. São 200 cartazes, metade na Linha Verde e metade na Linha Azul, contendo questões como “Ser um excelente atleta está no DNA?”, “A facilidade para aprender está no DNA?” e “Sentir atração por homens ou mulheres está no DNA?”.
A campanha está vinculada a um hotsite temático (http://genoma.ib.usp.br), no qual os interessados podem encontrar respostas às perguntas levantadas pelos cartazes, além de obter informações adicionais sobre DNA e também sobre o Centro de Pesquisa sobre o Genoma Humano e Células–Tronco – um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepids) apoiados pela Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo). A intenção é que temas científicos sejam abordados de forma atrativa e instigante, despertando a curiosidade dos passantes e levando-os a visitar o hotsite.


Ao tratar de temas científicos com vocabulário simples e abranger espaços amplamente frequentados, o projeto busca popularizar a genética entre diversos públicos. Afinal, apesar de ser extremamente importante no dia a dia de todos, muitas vezes a ciência ainda é vista como um assunto difícil e distante do cidadão comum. “Temos de encontrar formas de divulgar a ciência e torná-la um assunto tratado pela população de forma geral”, afirma a professora Elaine Dessen, coordenadora de Difusão do Centro de Pesquisa sobre o Genoma Humano e Células-Tronco e uma das organizadoras da campanha.


Essa não é a primeira campanha desenvolvida pelo Semear Ciência. Entre outubro de 2014 e janeiro deste ano, o Metrô sediou a primeira campanha do centro, com o tema “Semelhantes, mas diferentes”. A temática, na ocasião, visava a trazer à tona as similaridades entre o DNA humano e o de outros seres, como o macaco, a mosca e – quem diria – o arroz. Na primeira campanha, além do Metrô, uma empresa de ônibus também aceitou colocar 250 cartazes à mostra em suas linhas.


Escolas – Além de levar a discussão a espaços públicos, o Semear Ciência também objetiva uma integração com as escolas. Durante a primeira campanha, foram enviados cartazes a todos os 3.775 colégios públicos do Estado de São Paulo e um vídeo de apresentação mostrou propostas de abordagem do conteúdo em sala de aula. “O vídeo foi para o site da Secretaria da Educação e para o Youtube, de modo a facilitar o acesso dos docentes”, conta Elaine.

O próprio hotsite temático já conta com uma sessão especial para professores do ensino básico. “Para trabalhar com um tema desses, inserido no próprio currículo, é sempre bom colocá-lo num vocabulário de divulgação científica, com menos jargão”, afirma a professora. A parceria com a Secretaria da Educação paulista se mantém neste ano, mas com a diferença de que, desta vez, apenas as escolas que desejarem trabalhar o conteúdo receberão o material da campanha. “Acho que fica um pouco mais focalizado”, justifica.

Elaine conta que novas campanhas já estão sendo planejadas. Após as duas primeiras terem sido desenvolvidas exclusivamente pelo Centro de Pesquisa sobre o Genoma Humano e Células-Tronco, as próximas contarão com a participação de 11 dos 17 Cepids apoiados pela Fapesp. Com isso, novas áreas científicas serão incluídas. Com o término da campanha “Está no DNA?”, o próximo tema abordado será “Redução de desigualdades no Brasil”, com organização do Cepid Centro de Estudos da Metrópole (CEM), ligado à Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP.