Notícia

Jornal do Brasil

Genética é tema de congresso nacional

Publicado em 20 setembro 2000

Em plena discussão sobre os rumos da ciência após ter sido decifrado o genoma humano, o 46° Congresso Nacional de Genética, aberto ontem na estância hidromineral de Águas de Lindóia, interior de São Paulo, ganha mais importância. A novidade deste ano é que as conferências não se limitarão ao âmbito da ciência pura, mas terão um toque multidisciplinar. Um casamento entre a História e a genética que fica patente no simpósio Retrato do Brasil, que acontecerá hoje. Nele serão mostradas, por exemplo, pesquisas sobre a constituição genética do brasileiro e sua relação com as migrações populacionais. Sob o tema Brasil: 500 anos de mistura gênica, o congresso reúne mil especialistas brasileiros e estrangeiros que vão participar, durante cinco dias, de mais de 50 conferências e mesas-redondas sobre a genética e suas implicações como no caso dos alimentos transgênicos. Uma delas é a experiência de cafeeiros geneticamente modificados, que será apresentada por Luiz Gonzaga Vieira, do Instituto Agronômico do Paraná. O avanço nas estratégias de vacinas de DNA e sobretudo no tratamento contra alguns tipos de câncer também mereceram destaque. Nesse contexto, as perspectivas do Projeto Genoma do Câncer, iniciativa da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, Fapesp, são bastante aguardadas. Afinal o Brasil é o país com o segundo maior banco de dados de genes humanos do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos. Fernando Perez, diretor-científico da Fapesp, falará sobre as perspectivas do programa. Uma mesa-redonda sobre mapeamento genômico de animais de interesse econômico, como aves, suínos e bovinos mostrará que não é só a área de saúde que pode se beneficiar do progresso da Genética. O americano Max Rothschild, do Departamento de Ciência Animal da Universidade de Iowa participará da mesa-redonda, trazendo aplicações práticas de genes recém-identificados de porcos.