Notícia

IG

Gene da gordura (1 notícias)

Publicado em 25 de março de 2006

Agência FAPESP
Um grupo de cientistas da Universidade do Estado de Nova Jersey (Rutgers), nos Estados Unidos, identificou um gene e a função molecular de sua proteína resultante que oferecem uma nova pista para entender melhor a obesidade e podem levar ao desenvolvimento de novos medicamentos para o controle do metabolismo da gordura.
Os pesquisadores descobriram que uma proteína conhecida como lipina é uma enzima importante no processo de regulagem da gordura. "A atividade da lipina pode ser um alvo farmacêutico importante para o controle da gordura corporal em humanos, levando ao tratamento de condições que vão da obesidade à perda de peso em portadores de HIV", disse George Carman, líder da pesquisa, em comunicado da instituição norte-americana.
Estudos anteriores com camundongos mostraram que a falta de lipina causa a perda de gordura, e que o excesso promove o acúmulo de uma quantidade extra, o que levou à conclusão de que a substância estaria envolvida com o metabolismo da gordura. Só não se sabia como.
Em artigo que será publicado na edição de 7 de abril do Journal of Biological Chemistry, os pesquisadores descrevem que a lipina é uma enzima denominada PAP, um catalisador protéico necessário para a formação de gorduras, especialmente triglicerídios.
O grupo tomou como modelo de estudo o fermento biológico (Saccharomyces cerevisiae) usado por padeiros. "Isolamos a enzima PAP do organismo que corresponde na forma à lipina em mamíferos e verificamos que as células sem a enzima apresentaram uma redução de 90% de gordura", explica Carman.
Os pesquisadores analisaram a sequência de aminoácidos que formavam a enzima PAP, o que permitiu rastrear a origem do processo até o gene responsável pela ativação, o PAH1. Para confirmar a relação, introduziram em bactérias o gene que acabara de ser identificado. Os resultados foram similares.
A equipe da Rutgers verificou em seguida que a enzima codificada pelo gene PAH1 não apenas era semelhante como atuava de forma muito parecida com a lipina encontrada em mamíferos, deduzindo dali a relação entre a enzima PAP e a lipina.
O estudo poderá ser lido na edição de 7 de abril do Journal of Biological Chemistry, em http://www.jbc.org.