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Brasil Econômico

GE e Sabesp se associam para explorar reúso de água

Publicado em 04 março 2010

Por Nivaldo Souza

A Companhia de Saneamento do Estado de São Paulo (Sabesp) pretende sair do território paulista para participar de projetos de tratamento de água e esgoto pelo Brasil afora. A unidade latino-americana da GE Water & Process Technologies (GE&PT) tem planos de conquistar novos clientes para nacionalizar a produção de equipamentos na fábrica que instalou na cidade de Sorocaba (SP) em 2008. E já que as pretensões das duas empresas são parecidas, elas decidiram se juntar para explorar o mercado em parceria firmada ontem.

O foco será a cooperação tecnológica e técnica em processo de saneamento básico e reaproveitamento de água. De um lado, o objetivo será investir em municípios com projetos de saneamento mesclando o know-how da Sabesp e os equipamentos de

ponta da líder mundial do segmento. Em outro, o alvo será o setor industrial, que busca economia uma vez que a captação de água em bacias hidrográficas é paga e a preservação ambiental virou questão estratégica de marketing. "A GE é muito dinâmica do ponto de vista tecnológico, principalmente em uma área que nos interessa: a de reuso de água", diz o presidente da Sabesp, Gesner de Oliveira.

O executivo afirma que a aproximação coma divisão para o mercado de águas da multinacional americana vai auxiliar a prospecção de clientes. "Temos uma expectativa muito alta quanto ao mercado de reuso de água, que pode ser destinada

para vários nichos industriais. Depositamos muita esperança nisso, porque exige um tratamento bem mais complexo."

Oliveira aponta três níveis de parceria que a Sabesp busca para diversificar sua atuação: cooperação técnica, projetos de inovação e participação em licitações. A flexibilidade de negócios da Sabesp foi permitida por uma mudança jurídica aprovada pelo governo federal, a lei federal 11.445/07, que deu gás à estatal para entrar no mercado como qualquer empresa privada. "Temos um convênio de R$ 50 milhões com a Fapesp para ser aplicado nos próximos cinco anos em áreas de fronteira de inovação tecnológica", indica.

Não à toa, a companhia coleciona algumas vitórias, como a conta do tratamento de esgoto em Mogi Mirim (SP) e em licitação no Panamá. Sem contar parceria coma Águas de Barcelona para concorrer no mercado internacional.

Nacionalizar equipamentos

Para a divisão de águas da GE, juntar-se à Sabesp é importante para adaptar para o mercado brasileiro equipamentos desenvolvidos pela empresa fora do país. "Pretendemos trazer para o Brasil toda a nossa tecnologia e expertise adquiridas no mercado global na tecnologia de tratamento de efluentes", diz o presidente da GE&PT para a América Latina, Tadeu Justi. "Esperamos desenhar melhor a tecnologia adaptada para o mercado brasileiro nesta parceria com a Sabesp", indica o executivo.

Segundo Justi, o Brasil despertou para a necessidade de investir de forma consistente em saneamento, o que abre um filão importante para parcerias público-privadas (PPPs), das quais a GE&PT quer participar. "A grande contribuição será na

evolução de tecnologia em saneamento, que vem lutando contra a falta de investimento e modernização. Estamos saindo de ummodelo no qual construir dependia do investimento público para um modelo novo em que a iniciativa privada participa mais amplamente", avalia.

A perspectiva está animando as previsões de crescimento da empresa. "Crescemos acima dos dois dígitos nos últimos cinco anos. Esperamos que com a adoção de novas tecnologias, o efeito prático das PPPs e a disposição dos municípios de investir mais em saneamento que vamos conseguir dobrar essa taxa", sinaliza.