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DCI

Gasto menor para medir a poluição

Publicado em 24 setembro 2002

Por Fabiana Pio
O primeiro equipamento nacional para medir a poluição atmosférica em tempo real começa ser usado no Brasil. Desenvolvido pelo Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen) a custos reduzidos, o aparelho, denominado Lidar (Light Detection and Randing), emite raio laser de 300 metros até a altitude de 15 quilômetros. Segundo Nilson Vieira Júnior, chefe do Centro de Laser e Aplicações do Ipen, o aparelho foi encomendado pela Secretaria do Meio Ambiente, que queria um equipamento similar ao fabricado pela alemã Elight, mas que custa cerca de US$ I milhão. O equipamento foi desenvolvido pelo Ipen por US$ 100 mil toldados pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Cnpq). "Temos o domínio da tecnologia, sua comercialização vai depender da demanda e interesse do mercado", diz Vieira Júnior. Ele acredita que se o equipamento for produzido em larga escala será possível reduzir seu preço em até 20%. Segundo Eduardo Landulfo, chefe do Laboratório do Lidar do Ipen, o Lidar começou a ser desenvolvido em 1997, e foi finalizado em agosto de 2001. Para Vieira Júnior, o primeiro Lidar foi criado na década de 60 para medir a camada de ozônio da Terra. O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em São José dos Campos, interior de São Paulo, também tem um Lidar para verificar, em elevadas altitudes, as mudanças de temperatura a longo prazo. "Esse é o primeiro Lidar para medir a poluição atmosférica até 15 km de altura", diz Landulfo. Segundo Landulfo, o Lidar permite obter dados mais precisos sobre a poluição do ar, pois verifica em tempo real as mudanças das partículas na atmosfera. Nos outros equipamentos que utilizam ondas de rádio, por exemplo, devem ser feitas coletas de oito em oito horas, para então avaliar o nível de poluição. Com o Lidar, é possível medir partículas de milímetros a centímetros de tamanho, como fuligem, resíduos de poeira originária do tráfego de carros e de reações químicas. O Lidar emite o raio laser, que atinge as partículas da atmosfera e retorna com menos intensidade. Dependendo dessa intensidade, verifica-se a quantidade de material na atmosfera. BRITISH PETROL UTILIZA O SISTEMA PARA ANALISAR ESCAPE DE GÁS O Lidar (Light Detection and Ranging), além de medir a poluição atmosférica, também pode ser utilizado em diferentes aplicações. Segundo Eduardo Landulfo, chefe do laboratório Lidar do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen), a inglesa British Petrol utiliza um equipamento semelhante, que custa cerca de US$ 2 milhões, para verificar vazamento de gás ou escape de material combustível. De acordo com Nilson Vieira Júnior, chefe do Centro de Laser e Aplicações do Ipen, em Roma, o Lidar também é aplicado para medir os gases poluentes emitidos pelas indústrias. E nos Estados Unidos, ele é colocado nas rodovias para analisar o nível de poluição dos automóveis. Segundo Landulfo, o Lidar também pode ser usado na indústria bélica para monitorar atividades nucleares ou mapeológicas.