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Gasolina verde e etanol, dois biocomustíveis, tema de atenção de cientistas em debates no Brasil

Publicado em 17 agosto 2009

O cientista americano John Regalbuto defende também como biocombustível, a produção em escala comercial de hidrocarbonetos líquidos a partir da biomassa, a chamada “gasolina verde”, que foi discutida pela FAPESP no último dia 11. Ele é o diretor do Programa de Catálise e Biocatálise da National Science Foundation (NSF), que participou na última semana semana do workshop “Tecnologias em biocombustíveis e suas implicações no uso da água e da terra”, foi realizado em Atibaia (SP) pela FAPESP no âmbito do Programa FAPESP de Pesquisa em Bioenergia (BIOEN) e pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), com apoio da National Science Foundation, dos Estados Unidos, e do Ministério de Ciência e Tecnologia da Argentina.

Ele defendeu o processo de produção da “gasolina verde” em artigo publicado na revista Science no final de semana. Esse processo de produção da “gasolina verde” consiste em submeter uma pasta aquosa de açúcares e carboidratos vegetais a materiais catalisadores, que aceleram as reações sem se desgastar no processo. Com isso, as moléculas ricas em carbono da biomassa se separam em componentes que se recombinam para formar os mesmos compostos químicos que são obtidos do processamento do petróleo. A principal diferença da produção da “gasolina verde” em relação à do etanol, segundo John Regalbuto, é que este último é fermentado a partir de plantas em um processo que utiliza enzimas para desencadear as reações, enquanto a primeira utiliza catalisadores.

Os catalisadores transformam os açúcares presentes na planta em hidrocarbonetos. Se o uso de enzimas permite um processo mais seletivo, dirigido a um tipo especifico de moléculas, os catalisadores, por outro lado, podem operar em altas temperaturas que normalmente destruiriam as enzimas. Isso permite que as reações sejam milhares de vezes mais velozes. “A produção de hidrocarbonetos a partir de plantas acaba sendo mais eficiente que a de etanol, porque este último exige uma destilação que requer grandes quantidades de energia, enquanto os hidrocarbonetos se separam automaticamente da água”, disse o cientista em texto distribuído pela Agência FAPESP, e que o INFOENERGIA teve acesso.


Equipe Infoenergia