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Blog do Rubão

Gasolina faz mal ao bolso e à saúde

Publicado em 04 agosto 2017

Por Rubens Nóbrega

Abastecer o carro com gasolina não está causando só estrago no bolso. Na maioria das vezes economicamente é mais vantajoso para o motorista abastecer um carro flex com gasolina, em vez de álcool, mas uma pesquisa mostrou que a saúde de toda a população paga o preço dessa decisão.

A substituição do combustível implica uma elevação de 30% na concentração atmosférica de material particulado ultrafino – aquele com diâmetro menor do que 50 nanômetros. É o que explica Paulo Artaxo, professor do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (IF-USP) e coautor da pesquisa.

“Essas nanopartículas de poluição são tão pequenas que se comportam como moléculas de gás. Ao serem inaladas, conseguem atravessar todas as barreiras de defesa do sistema respiratório e alcançar os alvéolos pulmonares, levando diretamente para o sangue substâncias potencialmente tóxicas, podendo aumentar a incidência de problemas respiratórios e cardiovasculares”, disse.

Como explicou o pesquisador, atualmente a concentração desse tipo de nanopartícula não é monitorada ou regulamentada por órgãos ambientais do Brasil ou de outras nações. “Entre 75% e 80% da massa de nanopartículas que medimos neste estudo corresponde a compostos orgânicos emitidos por veículos, ou seja, carbono em diferentes formas químicas. Quais exatamente são esses compostos e seus impactos na saúde é algo que precisa ainda ser melhor investigado”, afirmou Artaxo.

Mais etanol é solução
Ainda segundo o professor, nos Estados Unidos e na Europa já está se estabelecendo, com base em pesquisas recentes, um consenso de que essas emissões são potencialmente prejudiciais à saúde e precisam ser regulamentadas. Em vários estados norte-americanos, como a Califórnia, já há leis obrigando a mistura de 20% a 30% de etanol na gasolina, o que também ajuda a reduzir a liberação de material particulado ultrafino.

“Esses resultados reforçam a necessidade de políticas públicas para estimular o uso de biocombustíveis, pois deixam claro que a população perde com saúde o dinheiro economizado na bomba quando se opta pela gasolina”, avaliou Artaxo. Para ele, o incentivo a veículos elétricos, híbridos ou a biocombustíveis é fundamental para diminuir a emissão de gases de efeito estufa.

O fenômeno foi constatado na cidade de São Paulo no estudo Reduced ultrafine particle levels in São Paulo’s atmosphere during shifts from gasoline to ethanol use, apoiado pela Fapesp e publicado este mês na revista Nature Communications.

Com informações de Karina Toledo/Agência Fapesp