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Investe São Paulo

Gargalos e estratégias

Publicado em 18 março 2010

Agência FAPESP

Cientistas de dezenas de países têm unido forças para superar uma série de obstáculos relacionados à produção sustentável de energia de biomassa. Uma das principais iniciativas internacionais com esse objetivo - o projeto Global Sustainable Bioenergy (GSB) - trará ao Brasil, na próxima semana, alguns dos principais especialistas na área de bioenergia.

Tendo em vista viabilizar, no futuro, a produção de bioenergia sustentável em larga escala - definindo estratégias para implementação de políticas públicas -, o projeto GSB é composto, em sua primeira fase, por uma série de cinco convenções internacionais. Cada uma tem o objetivo de fornecer uma plataforma para oportunidades, desafios e preocupações regionais e transnacionais relacionados à bioenergia.

A primeira reunião ocorreu em fevereiro na cidade de Delft, na Holanda. A segunda, com duração de três dias, terá início nesta quarta-feira (17/3) em Stellenbosch, na África do Sul. A terceira etapa (The Latin American Convention of The Global Sustainable Bioenergy Project) será realizada entre os dias 23 e 25 de março na sede da FAPESP, em São Paulo. As duas últimas reuniões estão programadas para junho, na Universidade Tecnológica da Malásia, na cidade de Skudai, e para setembro, nos Estados Unidos, na Universidade de Minneapolis.

De acordo com o organizador do evento latino-americano, Luís Augusto Barbosa Cortez, professor titular da Faculdade de Engenharia Agrícola (Feagri) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a iniciativa pretende trazer respostas às incertezas relacionadas ao uso da energia de biomassa e, em última instância, pavimentar o caminho para a viabilização e implementação da produção global de bioenergia. "O objetivo principal do projeto é promover o uso de bioenergia, discutir gargalos e definir estratégias nos cinco continentes. A reunião no Brasil será especialmente importante, pois o país é o melhor exemplo do uso de bioenergia em larga escala. E é também quem tem a maior promessa de expansão dessa matriz", disse à Agência FAPESP.

Cortez, que participa da convenção africana, é coordenador adjunto de Programas Especiais da FAPESP. Ele coordena também o Projeto de Pesquisa em Políticas Públicas da Cadeia Cana-Etanol (Diretrizes de Políticas Públicas para a Agroindústria Canavieira do Estado de São Paulo), apoiado pela Fundação e voltado para as rotas tecnológicas para a produção do etanol.

O eixo central dos debates na etapa brasileira do projeto GSB será a especificidade do uso de bioenergia no contexto latino-americano. O potencial para o uso de bioenergias no Brasil, segundo Cortez, é incomparavelmente maior do que nos outros países participantes do projeto. "Nos Estados Unidos e na Europa, o potencial é maior caso a hidrólise enzimática seja um sucesso, pois esse conjunto de países tem sérias restrições em relação à área plantada e dependerá de culturas e do aproveitamento de resíduos agrícolas", afirmou. No caso dos países africanos, o potencial para expansão é grande, mas há limitações de outra ordem, particularmente relacionadas à falta de infraestrutura e de mão de obra especializada.

O evento é isento de taxa de inscrição e as palestras terão tradução simultânea.

Mais informações: www.fapesp.br/gsb ou (11) 3838-4216 (11) 3838-4216 / 3838-4006