Notícia

JC e-mail

Gabriel Cohn, presidente da Anpocs, fala sobre inovação social

Publicado em 31 outubro 2006

Por Fábio de Castro, Agência Fapesp

Mais do que apresentar soluções, a contribuição das ciências sociais para o avanço do conhecimento se concentra em identificar os problemas emergentes da sociedade, diz Gabriel Cohn, professor da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP e presidente da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais (Anpocs).
Muitos desses novos desafios, segundo Cohn, foram identificados durante a 30ª reunião anual da entidade, encerrada no sábado (28/10), em Caxambu (MG). No evento, cerca de 2 mil pesquisadores participaram de mais de 70 seminários, mesas-redondas, grupos de trabalho e sessões especiais.
"O debate no encontro mostrou que existem muitas áreas emergentes. Há uma que parece ser o próprio modelo da questão emergente, de extrema importância: o papel das formas de inovação nas diversas áreas de organização da sociedade", disse Cohn à Agência Fapesp.
As inovações mencionadas pelo professor ocorrem em todas as áreas das relações sociais.
"Não me refiro estritamente à inovação tecnológica, embora isso seja de crucial importância, mas a novas formas de relações emergentes nos diversos âmbitos da vida social. Isso inclui inovação na tecnologia, mas também na atuação empresarial, na atuação do Estado, nas relações familiares, nas religiões e na política. Enfim, temos que olhar para o novo", afirmou.
O mapeamento do novo é um grande serviço prestado pelos pesquisadores que apresentaram reflexões no evento em Caxambu, segundo Cohn.
"Não teremos, num prazo curtíssimo, uma síntese do que isso respresenta no conjunto. Essas novas relações aparecem na sociedade e cabe a nós descobrir onde está o novo e que efeitos ele tem."
A reunião da Anpocs, segundo ele, indicou uma diversidade crescente de áreas de pesquisa. A expectativa é que o encontro estimule boas perguntas e não exatamente respostas imediatas.
"Isso acentua uma idéia de que os problemas estão sendo fragmentados em milhões de estilhaços, sem chegar a uma síntese. Mas essa é uma falsa impressão. Nossa sociedade passa por processos de transformação ainda muito crus que não têm a devida ressonância no plano da realização política. O importante é entender esses processos", disse.
O objetivo, segundo o professor do Departamento de Ciência Política, era que os participantes saíssem do encontro trabalhando as questões levantadas e, ao longo do tempo, tivessem condições de oferecer contribuições para uma síntese.
"Os grandes debates não são ocasião para essa síntese. Os momentos de amarração são mais discretos, ocorrem nos pequenos circuitos de pesquisa, no trabalho cotidiano. A síntese que nasce daí vai retroalimentar o debate e o resultado final é muito positivo. Esse processo faz parte da própria natureza das ciências sociais e do tipo de questionamento que elas propõem", disse.