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Futuro terá biocombustível mais limpo

Publicado em 08 dezembro 2010

Agência FAPESP

SÃO PAULO- O processo de produção do etanol resulta atualmente em uma série de resíduos tóxicos que, caso sejam lançados no meio ambiente, podem causar graves impactos ecológicos.

Mas, em um futuro próximo, por meio de novas tecnologias geradas em áreas como a biotecnologia e genômica, será possível eliminar ou transformar, nas próprias usinas de etanol, os poluentes emitidos.

A estimativa é de Bram Brouwer, professor associado da Universidade Livre de Amsterdã e cientista-chefe da Bio-base Ecologically Balanced Sustainable Industrial Chemistry (Be-Basic).

"Estamos aprendendo como as indústrias de biocombustíveis, de química fina e de novos materiais podem diminuir a geração de poluentes ou convertê-los em novos produtos. Mas são tecnologias que levarão pelo menos de cinco a dez anos para serem desenvolvidas", disse no Workshop on Environmental, Social and Economic Impact of Biofuels, realizado em 25 de novembro pelo programa FAPESP de Pesquisa em Bionergia (BIOEN) e pelo Be-Basic.

O Be-Basic é um consórcio público-privado formado pelas principais universidades, instituições de pesquisa e indústrias holandesas e voltado para o desenvolvimento de novas tecnologias para produção de bioquímicos, biomaterias e biocombustíveis.

Uma das tecnologias que estão sendo estudadas no âmbito do Be-Basic é o desenvolvimento de biocatalisadores (aceleradores de reação biológicos), como microrganismos e enzimas.

O consórcio tem um programa totalmente voltado para a identificação de enzimas como a dealogenase, com potencial de eliminar poluentes recaciltrantes orgânicos - compostos que não são degradáveis ou levam muito tempo para serem degradados - no solo.

"Potencializando essas enzimas, será possível utilizá-las para eliminar tais poluentes do solo e melhorar processos como o de biorremediação", afirmou Brouwer, referindo-se ao processo em que são utilizados microrganismos ou suas enzimas para degradar compostos poluentes e recuperar áreas contaminadas.

Outra linha de pesquisa do consórcio é o monitoramento dos impactos ambientais das substâncias químicas utilizadas por indústrias em seus processos industriais. Segundo Brouwer, entre as mais de 100 mil substâncias químicas utilizadas hoje em processos industriais ou em produtos finais, 98% nunca passaram por uma avaliação de segurança.