A startup Future Cow, com sede em Ribeirão Preto (SP), desenvolveu uma tecnologia inovadora para produzir proteínas do leite sem o uso de vacas, por meio da fermentação de precisão, processo semelhante ao utilizado na fabricação de cerveja.
A técnica permite replicar, em microrganismos como leveduras, as proteínas presentes no leite, como caseína e whey, que poderão ser usadas como ingredientes em diversos produtos da indústria alimentícia. A empresa apresentará sua solução na feira internacional VivaTech, entre 11 e 14 de junho, em Paris. A proposta da Future Cow é oferecer uma alternativa sustentável e escalável à produção tradicional de laticínios, sem intenção de substituí-la totalmente.
Segundo o CEO Leonardo Vieira, a startup busca colaborar com grandes indústrias, permitindo a criação de produtos híbridos e reduzindo a pegada de carbono. O projeto é apoiado pela FAPESP e pelo CNPEM, e atualmente está na fase de escalonamento da produção. A expectativa é comercializar os primeiros ingredientes até o fim de 2026. Com a abundância de água, açúcar e energia renovável, o Brasil tem grande potencial para liderar o setor de proteínas alternativas. Vieira alerta, no entanto, que o país precisa se mover rapidamente para não perder espaço para concorrentes internacionais. Segundo ele, a Future Cow é exemplo de como ciência e empreendedorismo podem se unir para transformar inovações acadêmicas em soluções comerciais de impacto global.