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Correio Popular

Fungos podem impedir a infestação de culturas

Publicado em 14 setembro 2003

infestação de culturas por pequenos vermes, de cerca de 1 mm, genericamente conhecidos como nematóides, não é seletiva. Das sazonais hortaliças a plantios perenes, como o café, cerca de 2 mil espécies de plantas cultivadas são afetadas, com níveis de perda que podem chegar a 100%. Os remédios químicos - nematicidas - oferecem risco de contaminação, são caros e de baixa eficiência, visto que os vermes penetram nas raízes, folhas ou sementes das plantas, e ali se encapsulam, aproveitando um tipo de deformação da própria planta, chamado de galha. A presença dos nematóides danifica as raízes e prejudica o crescimento das plantas. A alternativa dos agricultores, para combater a praga, é recorrer a plantas repelentes ou fazer rotação de culturas e outros tratos culturais, já que os nematóides vivem no solo e são disseminados com facilidade, num simples transplante de mudas. Mas uma nova opção de tratamento preventivo deve se tornar disponível, em breve, a partir dos resultados de pesquisas realizadas na Unesp (Universidade Estadual Paulista), câmpus Jaboticabal. O sistema prevê manejo integrado, a partir de uma análise do tipo de nematóide infestante e do uso de diferentes tipos de fungos para controlar os vermes. O custo chega a ser 10 vezes inferior à aplicação de nematicidas químicos, com a vantagem de não oferecer risco à saúde nem ao meio ambiente. Uma equipe coordenada pelo especialista em nematóides, Jaime Maia dos Santos, trabalha há nove anos na seleção de fungos, que se alimentam dos nematóides. "Selecionamos cinco espécies diversas de fungos nematófagos de armadilha, quer dizer são fungos que vivem no solo e armam uns anéis ou redes, onde o nematóide é capturado, quando passa por aquele espaço", explica Maia dos Santos. "O fungo então enlaça o nematóide e penetra no verme, alimentando-se dele". Os fungos são reproduzidos em laboratório, num substrato à base de arroz, que deve ser misturado à terra antes do plantio ou do transplante de mudas. "Incluímos no substrato nematóides de vida livre, que não atacam plantas, porque eles estimulam a proliferação dos fungos no solo", acrescenta o pesquisador, que também supervisiona o Centro de Manejo Integrado de Pragas da Unesp. PRESTAÇÕES DE SERVIÇOS Estamos montando uma estrutura de prestação de serviços, que nos permita analisar qual nematóide está causando problemas, para depois fornecer o fungo específico para aquele tratamento". Ele explica que várias espécies de verme produzem os mesmos sintomas e a diferenciação só pode ser feita ao microscópio, fator limitante para a venda livre dos fungos nematófagos. Vários pós-graduandos já passaram pela equipe, que atualmente conta com dois mestrandos e dois doutorandos sob orientação de Maia dos Santos, com bolsas da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). A maior parte dos recursos de custeio veio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), totalizando R$ 85mil. O grupo pretende solicitar recursos adicionais para mais 4 anos, para investir na seleção de fungos e montagem de um sistema de atendimento a cultivos em ambientes fechados (estufas). Com isso, visam sobretudo o grande número de hortas urbanas ou da periferia das grandes cidades, que não têm recursos para investir em nematicidas químicos e lidam com alimentos de consumo direto, para os quais o manejo integrado é mais recomendável, por evitar contaminação.