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Anpei - Associação Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento das Empresas Inovadoras

Fundo de banqueiros do Itaú e sócios da Natura faz primeiro aporte

Publicado em 04 abril 2013

O fundo de venture capital Pitanga, formado por grandes investidores brasileiros e administrado pelo biólogo Fernando Reinach, que já liderou a Votorantim Novos Negócios, fechou seu primeiro investimento. Trata-se da I.Systems, empresa de software para automação industrial, criada por quatro jovens ao redor dos 30 anos e egressos dos cursos de engenharia da computação e de matemática da Unicamp.

O valor do investimento não foi revelado, mas representa uma pequena parte do Pitanga, que tem, ao todo, R$ 100 milhões. Com o aporte, o fundo tornou-se minoritário na I.Systems, mas divide a gestão da empresa. A origem dos recursos são oito investidores: o próprio Reinach, os fundadores da Natura Guilherme Leal, Luiz Seabra e Pedro Passos e os banqueiros do Itaú Unibanco Pedro Moreira Salles, Candido e Fernão Bracher e Eduardo Vassimon.

Encontrar startups com esse perfil não é exatamente uma tarefa fácil. O Pitanga levou quase dois anos e analisou 700 projetos até chegar à I.Systems. O primeiro contato entre o fundo e os empreendedores aconteceu no início do ano passado, por intermédio da Associação Campinas Startups, uma entidade sem fins lucrativos que reúne pequenas empresas da região.

A primeira reunião dos jovens com Reinach e Vassimon (hoje vice-presidente de controle de riscos do Itaú Unibanco) aconteceu na época em que a I.Systemas era financiada por agências de fomento como a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e a Finep. “Foi assim que conseguimos nos dedicar ao projeto. Como somos de fora de Campinas, não dava nem para economizar morando com a mãe”, diz Igor Santiago, presidente da I.Systems.

A esse primeiro encontro sucederam-se outros, até que os investidores do Pitanga entendessem a complexa “lógica Fuzzy”, teoria de controle de sistemas que está por trás do software criado pela I.Systems. Trata-se de uma técnica de inteligência artificial que permite que os computadores tomem decisões mais sofisticadas: não apenas o binário “sim” ou “não”, mas posições intermediárias.

A tecnologia já é usada pela indústria automobilística em carros que estacionam sozinhos e freios ABS, por exemplo. Mas, como depende da criação manual de uma série de regras para seu funcionamento, acaba só se viabilizando para aplicações de massa. É exatamente aí que entrou o trabalho da I.Systems.

Igor Santiago, Leonardo Freitas, Ronaldo Silva e Danilo Halla haviam estudado juntos na Unicamp e dividiam um apartamento quando começaram a trabalhar, nos fins de semana, em uma forma de ampliar o uso da lógica Fuzzy. Desenvolveram algoritmos para gerar automaticamente as tais regras de funcionamento, que foram, por sua vez, aplicadas em um software.

Depois de oito meses de pesquisa e com a ajuda de consultores, os investidores do Pitanga chegaram à conclusão de que o produto desenvolvido pelo I.Systems era, de fato, inovador. Suas primeiras aplicações práticas foram na automação industrial. Uma das fábricas da Coca-Cola Femsa, por exemplo, passou a usar o software para diminuir a flutuação de seus sistemas de envaze, de modo a preencher as garrafas de refrigerante com a quantidade desejada e diminuir perdas de produto.

Também já são clientes companhias como a Ajinomoto, de alimentos, as químicas multinacionais Rhodia e Lanxess e a São Martinho, usina de açúcar e etanol. Por ora, a intenção do Pitanga é ajudar a montar uma estrutura administrativa e comercial que permita ampliar as vendas da I.Systems e encontrar um parceiro para oferecer seu software no mercado internacional.

Em um passo mais ambicioso, a intenção é lançar novos softwares de automação industrial e estender a tecnologia de lógica Fuzzy para além das indústrias. “É tão inovador que a gente ainda nem sabe tudo o que é possível fazer com essa tecnologia”, diz Reinach, que atualmente analisa 60 startups na busca de uma nova I.Systems.

(Com informações do O Estado de S. Paulo)