Notícia

Gazeta Mercantil

Fundação investe em biotecnologia

Publicado em 30 agosto 2000

Projetos bem-sucedidos como o seqüenciamento genético da Xylella Fastidiosa - bactéria responsável pelo "amarelinho", doença que ataca plantações de laranja causando prejuízos de milhões de reais - abriram os olhos dos investidores para a biotecnologia, acredita o consultor Luís Marques de Azevedo. A Fundação Biominas, entidade mineira de fomento do setor, por exemplo, está estruturando, em parceria com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e o Sebrae, um fundo de capital de risco para empresas de base tecnológica. Preferencialmente serão atendidos negócios de biotecnologia, porém, nada impede que empreendimentos de outras áreas se candidatem aos recursos. A verba total do fundo será de R$ 18 milhões. Mas, antes mesmo da criação desse fundo, a Biominas já apóia financeiramente projetos de biotecnologia. Por meio de um convênio com o BID, a entidade mineira opera desde o final de 98 o Programa de Transferência de Tecnologia (PPT). Projeto - Em vez de comprar parte do controle da empresa, a Biominas injeta dinheiro em produtos e, em troca, recebe participação nos lucros. Até hoje, seis organizações já foram contempladas pelo PPT, informa a presidente da Biominas, Patrícia Mascarenhas. Os recursos disponíveis somam US$ 3,25 milhões. US$ 1 milhão já foi aplicado. Sem Garantias - Especializada em reagentes para diagnósticos médicos, a Katal, de Belo Horizonte, recebeu da Biominas cerca de R$ 140 mil em 99 para pesquisar um material destinado a dosagem do colesterol. Em troca, a fundação vai receber, por 12 anos, 4% da receita líquida do produto. "Se não fosse o PPT, não teria acesso aos recursos, pois não tenho garantias reais para contrair empréstimos em bancos", afirma o fundador da Katal, Leonides Rezende Júnior. O dinheiro também acabou servindo para capitalizar a empresa. "No ano passado, foi a verba do PPT que segurou nosso negócio", lembra o empresário. De acordo com ele, até 98 a Katal usava os serviços de um intermediário para vender seus produtos, o que reduzia as margens de lucro. Só em 99 é que eles passaram a controlar toda a cadeia produtiva. Criada em 97, em 98, a média mensal de faturamento da empresa era de R$ 8 mil. No ano passado, saltou para R$ 18 mil e, neste ano, para R$ 50 mil. Os motivos dessa evolução também estão relacionados com o aquecimento do mercado e o lançamento de produtos. (LFK)