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Fundação e Microsoft investirão R$ 1,6 milhão em pesquisas

Publicado em 11 abril 2007

Por Cintia Baio

A Microsoft e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) anunciaram ontem um investimento de R$ 1,6 milhão para financiamento de pesquisas na área de Tecnologia da Informação no estado.

O convênio, que resultará no Instituto Microsoft Research - Fapesp de Pesquisas em TI, é o primeiro feito pela Fapesp com empresas estrangeiras.

Na primeira fase do projeto, que receberá inscrições de projetos de instituições paulistas, a Microsoft investirá cerca de R$ 500 mil no primeiro ano e algo em torno de R$ 300 mil no segundo.

A Fundação, por sua vez, também vai investir o mesmo valor anunciado pela Microsoft no primeiro e segundo ano. "Escolhemos o Brasil pela qualidade acadêmica do país, em especial a paulista. Temos vários estudantes que passaram por treinamentos em nossas unidades de pesquisa e foram muito bem", explicou Henrique Malvar, diretor-geral do Microsoft Research (braço da Microsoft para a área de pesquisas).

De acordo com Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da Fapesp, a expectativa é que o novo Instituto receba, nesta primeira fase, até 30 projetos de áreas multidisciplinares e que discutam, principalmente, problemas voltados à inclusão digital dos brasileiros.

"Quando empresas privadas fecham parcerias com instituições de ensino, o grande objetivo é colocá-las em contato com o mundo acadêmico, com idéias novas, ir até a fronteira do conhecimento", disse o diretor.

Para Brito, tais parcerias devem ser vistas como possibilidades de projetos futuros, e não soluções específicas e imediatas dos problemas da empresa.

"Uma parceria como essa não significa que o meio acadêmico vá oferecer respostas a problemas imediatos das empresas, por exemplo da Microsoft. Para isso, ela já tem um time bem grande de especialistas", ressaltou Brito.

Malvar, da Microsoft, afirmou que a empresa já possui outras alianças com instituições de ensino no mundo todo e que tais pesquisas podem contribuir para os projetos da empresa ou até mesmo tornar-se um produto.

"O Photosynth, por exemplo, que é um software que possibilita transformar fotos em álbum 3D, foi inteiramente desenvolvido em parceria com a Universidade de Washington. Temos diversas parcerias em todo o mundo, mas esta é a primeira da América Latina", disse Malvar. Só no Brasil, a empresa tem 21 centros de inovação no meio acadêmico.

De acordo com a Microsoft, a área de investimentos em pesquisa e desenvolvimento de soluções em tecnologia corresponde a 15% do faturamento mundial da empresa. Em 2006, esse valor correspondeu a aproximadamente US$ 7 bilhões.

Para o vice-governador do Estado de São Paulo, Alberto Goldman, que esteve presente na cerimônia, o País precisa de mais incentivos privados na área acadêmica. "O setor privado não investe em educação. Recebo empresas querendo saber o que vão ganhar do governo. Acho que agora vou começar a perguntar o que elas podem oferecer", brincou Goldman.