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Folha de S. Paulo - Vale (São José dos Campos)

Fundação de pesquisa de Minas terá orçamento recorde

Publicado em 02 outubro 2008

A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig) contará neste ano com um orçamento recorde desde a sua criação, em 1985. Por causa do incremento da arrecadação, o governo estadual vai destinar, ainda em 2008, um recurso adicional de R$ 30 milhões à fundação, que trabalha com a expectativa de superar São Paulo no investimento per capita em ciência, tecnologia e inovação.

De acordo com o diretor científico da Fapemig, Mário Neto Borges, desde o ano passado o governo mineiro passou a cumprir o dispositivo da constituição estadual que prevê a destinação de 1% da receita líquida para a instituição. Foi a primeira vez em sua história que a Fapemig recebeu a destinação orçamentária constitucional. Na última segunda-feira, na abertura da 4ª Feira de Ciência, Tecnologia e Inovação, em Belo Horizonte, o governador Aécio Neves (PSDB-MG) anunciou o repasse dos recursos complementares. Com isso, a Fapemig vai fechar o ano com orçamento de cerca de R$ 210 milhões.

Para mensurar a importância da recuperação orçamentária da fundação – iniciada em 2004 –, Borges fez uma conta simples. Calculou o orçamento executado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) – principal agência de fomento científico e tecnológico do País – em 2007 e dividiu pelo número de pesquisadores doutores cadastrados no Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Com base em orçamento executado de R$ 632,45 milhões, para um total de 19.899 pesquisadores cadastrados, chegou a de R$ 31.783 de investimento per capita.

A mesma conta em relação ao orçamento executado pela Fapemig no ano passado (R$ 188,87 milhões) e o número de doutores cadastrados no CNPq (6.244), resultou em um valor bem próximo: R$ 30.249. "Minha expectativa é que este ano vamos ultrapassar São Paulo no recurso per capita para a ciência, tecnologia e inovação", estimou Borges, lembrando que o Estado vizinho concentra a formação de doutores.

Borges destaca que a fundação mineira, vinculada à Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, passou nos últimos anos por um processo de recuperação financeira. "Nosso orçamento, no período de 2003 a 2007, aumentou oito vezes", disse. "Acreditamos que o próprio investimento feito em ciência, tecnologia e inovação tem resultado nesse aumento de receita, pois atrai empresas. É o que São Paulo faz tradicionalmente há mais de 25 anos."

Pólos de excelência

Desde o ano passado, segundo o diretor científico, a política de investimentos da Fapemig está justamente focada em "programas induzidos", alinhados a interesses comerciais do Estado. Ele cita, por exemplo, a criação de pólos de excelência de pesquisa em café, leite e mineração - setores exportadores, em que Minas é líder nacional em produção. Este ano, afirma Borges, o investimento mais significativo está voltado para a área de bioenergia, principalmente biodiesel e etanol.(AE)