Notícia

Gazeta Mercantil

Funbio seleciona projetos ambientais;

Publicado em 26 outubro 1997

Por Regina Scharf - de São Paulo
Os projetos de desenvolvimento sustentável promovidos em parcerias .formadas por empresas, cooperativas, organizações não-governamentais e governo já podem ser contados às .centenas no País. O Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio) acaba de selecionar dez propostas, dentre as 1.083 apresentadas, que dividirão US$ 2,3 milhões. Os contratos serão assinados na próxima quarta-feira, dia 29, e um novo edital de seleção deverá ser lançado em meados do ano que vem. Criado no ano passado, o Funbio está instalado na Fundação Getúlio Vargas, no Rio de Janeiro, mas é mantido pelo Global Environment Facility (GEF), fundo ligado às Nações Unidas e ao Banco Mundial, com recursos fornecidos pelos países ricos. O GEF patrocina projetos que podem ter impacto global, nas áreas de biodiversidade e mudanças climáticas, dentre outras. Eleja repassou US$ 10 milhões para o Funbio e comprometeu-se a repassar outro tanto se o Brasil oferecer uma contrapartida de US$ 5 milhões - ainda em negociação. Foram escolhidos projetos de gestão de unidades de conservação, manejo sustentável de florestas e recursos pesqueiros, agricultura a reservas em propriedades privadas. "Procurávamos projetos híbridos, multi-institucionais e multiprofissionais", explica Pedro Leitão, diretor-executivo do fundo. "Os escolhidos tinham que dizer respeito à conservação e ao uso sustentável da biodiversidade, ter participação comunitária e um interesse social e econômico". O Funbio deverá lançar um novo edital de seleção em meados do ano que vem. Na área de Agricultura e Biodiversidade foram escolhidos dois projetos, ambos de manutenção dá diversidade de espécies alimentares pouco valorizadas comercialmente. Um foi proposto pela Assessoria e Serviços a Projetos em Agricultura Alternativa, uma ONG carioca, mas abrangerá cinco estados. O outro foi apresentado pela Fundação para o Desenvolvimento Econômico Rural da Região Centro-Oeste do Paraná. Dois projetos de gestão de unidades de conservação foram contemplados. O primeiro, a ser desenvolvido pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e a ONG Instituto Superior de Estudos da Religião, prevê a elaboração de um modelo de gestão participativa para o Parque Nacional da Tijuca (RJ). O segundo também envolve a participação comunitária na gestão do Parque Nacional de Itatiaia (RJ), e será coordenado pela Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável. A implantação de uma indústria de- solados para calçados feitos com borracha natural, que mobilizará a Cooperativa Mista de Produtores Extrativistas do Rio Iratapuru e a empresa Amazontec, foi uma das propostas de manejo sustentável de florestas naturais escolhidas. A outra é o inventário dos recursos florestais e do potencial de exploração econômica sustentável da Mata Atlântica, a ser promovido por uma série de entidades reunidas no Conselho Nacional da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica. Também serão patrocinados o levantamento dos recursos pesqueiros de águas costeiras profundas, a ser feito pelo Ministério de Meio Ambiente, um projeto de gestão participativa da pesca no Médio Amazonas, coordenado pelo Ibama, um centro de excelência em conservação da biodiversidade no Paraná, da Fundação O Boticário, e um estudo sobre a implantação de Reservas Particulares de Patrimônio Natural (RPPN), que também será promovido pelo Ibama. O conselho do Funbio é integrado, entre outros, pelos empresários Roberto Bornhausen e Luiz Kauffman, presidentes do Unibanco e da Aracruz Celulose, respectivamente, e pelos ambientalistas Gustavo Fonseca e Ângelo Machado.