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Tribuna do Sol

Fumacê não elimina os focos da Dengue

Publicado em 25 janeiro 2008

"O carro fumacê não é solução para o mosquito da Dengue", enfatizou o presidente da Fundação Municipal de Saúde João Orlando Ribeiro Gonçalves. O presidente se baseia na orientação do próprio Ministério da Saúde, que, através do Programa Nacional de Controle da Dengue, preconiza que o trabalho de eliminação dos focos do mosquito Aedes Aegypti seja a forma mais eficaz de diminuir a incidência da dengue.

O gerente do Centro de Controle de Zoonoses, Romualdo Espíndola, ressalta com a nova metodologia adotada no Programa Municipal de Controle e Prevenção da Dengue não há necessidade ainda do uso do carro fumacê em Teresina. "Não precisamos usar o fumacê como era usado nos anos anteriores, com programação diária por ruas e bairros", diz o gerente.

"Só vamos usar o carro fumacê em casos onde houver dificuldade em descobrir o foco dos mosquitos e também quando existir alta densidade do mesmo em determinada região da cidade", afirmou a médica veterinária Vânia Carvalho. Ela conta que, na semana passada, uma senhora residente à Rua Lindolfo Monteiro apresentou os sintomas da Dengue e solicitou a visita dos agentes de endemias. Na ocasião, toda a casa da senhora foi vistoriada e não foi encontrado nenhum foco do mosquito. "Até que encontrássemos o foco, que estava localizado num terreno baldio próximo da casa dela, usamos o carro fumacê no quarteirão", explicou.

Mas a médica acrescenta que esta é uma solução paliativa, não resolve o problema da infestação de mosquitos Aedes Aegypti. O trabalho eficiente é o de eliminação dos focos e isso está sendo feito através das estratégias inovadoras introduzidas pelo médico Almério Gomes no Programa Municipal de Controle e Prevenção da Dengue. "Estamos fazendo a coisa certa: as equipes dos agentes de endemias vão às residências, colocam as armadilhas e onde são capturados muitos Aedes é feita a aspiração dos mosquitos alados; ao mesmo tempo, investigamos onde estão os focos do mosquito e os eliminamos", disse o gerente do Centro de Zoonoses.

Um trabalho importante também é o que está sendo feito pelas SDUs, em parceria com o Centro de Zoonoses. "Na medida em que fazemos o trabalho de captura do mosquito e eliminação dos focos, o pessoal da limpeza faz um verdadeiro arrastão na área trabalhada. Mas a população precisa continuar evitando o acúmulo de lixo nas casas e quintais", afirmou Espíndola.

Em matéria publicada em dezembro de 2007 na Revista Pesquisa Fapesp, o biólogo da Universidade Federal de Minas Gerais, Álvaro Eiras, afirmou que o monitoramento mais eficaz das populações de mosquito é essencial para evitar o uso indiscriminado de inseticidas, contra os quais o Aedes vem se tornando resistente nos últimos tempos. A publicação acrescenta ainda que para combater a dengue é preciso agir não apenas contra as larvas, mas também contra os mosquitos adultos e eliminando os possíveis criadouros.

"É justamente o que estamos fazendo em Teresina: um trabalho integrado com ações de eliminação de criadouros, captura de mosquitos adultos e educação da população sobre o que precisa ser feito por cada um para evitarmos a epidemia da doença", finalizou o presidente da FMS, João Orlando.