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Jornal da Cidade (Bauru, SP) online

Fruticultura ganha pólo de produção

Publicado em 04 fevereiro 2005

Com a vinda da Goiabrás para Bauru, a idéia é fomentar o setor e garantir a plantação de goiaba na região

Com o objetivo de fomentar a fruticultura em Bauru, deverá ser inaugurada, até o final deste mês, uma entidade que vai reunir dois expoentes do setor: a Associação Bauru Frutas e a Associação Brasileira dos Produtores de Goiabas (Goiabrás). As duas associações, que reúnem produtores e profissionais da área, vão funcionar em um prédio público que estava abandonado há muitos anos.
De acordo com o engenheiro agrônomo da Goiabrás, Juliano Piovezan, o objetivo é incentivar o plantio de goiaba na região e fortalecer a fruticultura como um todo. "O que vai garantir isso é todo um investimento na agregação de valores, inclusive com a consultoria de um corpo técnico especializado, que vai atuar prestando assessoria aos produtores", destaca o agrônomo.
Ele explica que as duas entidades vão funcionar juntas em um prédio doado pelo governo do Estado, localizado na esquina da avenida Nações Unidas com rua Inconfidência, no Jardim Santana. Até então, a edificação estava abandonada. "Estão sendo investidos cerca de R$ 6 mil na reforma do prédio", diz.
A nova entidade vai contar com dois equipamentos para beneficiamento de frutas que foram doados pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP): uma despolpadeira e um classificador. Os dois juntos valem cerca de R$ 150 mil.
Além disso, três agrônomos estarão trabalhando diretamente no projeto, dando apoio técnico e funcional aos produtores. "Os profissionais possuem muito conhecimento em frutas, inclusive com doutorado nessa área", explica Piovezan. Segundo ele, já há aproximadamente 30 produtores da região interessados na goiabicultura.

Agregar valor
O produtor de maracujá, Antonio Monico, que integra a Bauru Frutas, explica que os agricultores ligados à entidade vão levar a sua produção até essa sede. Lá, as frutas serão separadas no classificador, ganhando destinos diferentes conforme a sua qualidade. "As melhores serão comercializadas in natura. As demais se transformarão em polpa para serem vendidas não só em Bauru, como em outras cidades do Estado", salienta.
De acordo com ele, processo semelhante já acontece com o maracujá, na Fazenda Experimental da Universidade do Sagrado Coração (USC) que passa pelo beneficiamento e se transforma em suco concentrado. O produto segue para cidades como Andradina e Dracena.

Em expansão
A fruticultura tem sido, nos últimos anos, a grande aposta do setor agrícola de Bauru. Tanto que, antes de ser colocada em prática, a cultura de frutas passou por um grande processo de análise feito pela Agência Paulista de Tecnologia em Agronegócios (Apta), pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) e pela USC. Atualmente, cerca de 40 agricultores da região integram a Bauru Frutas. Eles viram nesse setor uma maneira de expandir seus negócios e conseguir um rendimento extra.
Como é o caso de Monico. Produtor de café e criador de gado, ele começou a investir em maracujá no ano passado. Hoje, possui 1.000 pés da fruta que rendem um dinheiro extra na entressafra do café. "Eu consigo uma renda boa durante o ano todo", destaca.
Ele acredita na importância da diversificação das culturas e diz que o agronegócio é a solução para fomentar o setor.
Depois da parceria com a Goiabrás, Monico já pensa em investir também em goiaba. "Eu estou estudando essa possibilidade, principalmente visando produzir o guatchup, uma espécie de catchup feito com goiaba que tem grande aceitação no mercado externo", vislumbra o produtor.
O guatchup, um molho agridoce feito a partir da goiaba, está em teste nos Estados Unidos e na Suíça. Tipicamente brasileiro, ele possui a vantagem de ser mais nutritivo e menos calórico que o seu concorrente direto, o catchup, feito de tomate. O valor médio de comercialização do produto é de US$ 4,50 o quilo. Atualmente, são produzidas 400 toneladas do produto por ano, mas a meta é chegar a 30 mil toneladas em pouco tempo.