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G1

Frutas que iriam para o lixo podem salvar vidas

Publicado em 06 agosto 2018

Por Fábio Gallacci

 

ue o abacaxi faz bem à saúde todo mundo sabe. Ajuda na digestão, aumenta a massa muscular, controla a coagulação sanguínea e outros tantos benefícios. Agora, a fruta tem papel principal em uma outra descoberta. Uma parceria entre pesquisadores da Unicamp e da Universidade de Sorocaba (Uniso) comprovou que ela tem propriedades que aceleram a cicatrização, algo que pode melhorar a vida de muita gente. Na verdade, foram dois trabalhos paralelos que se complementaram ao longo da última década.
"Esperamos que a pesquisa traga o desenvolvimento de um curativo com boa eficácia e um custo baixo", Angela Jozala, professora da Universidade de Sorocaba
As pesquisas para extração e purificação de uma enzima chamada bromelina a partir de resíduos de abacaxi começou em Campinas a partir de 2008. Paralelamente, na cidade próxima, estava sendo desenvolvido um trabalho para a produção da nanocelulose bacteriana, que possui um alto grau de compatibilidade, alta resistência mecânica, porosidade e principalmente alta capacidade de retenção de água, por isso é muito utilizada como um substituto temporário da pele no caso de queimaduras de segundo grau e no tratamento de úlceras.
Sua estrutura flexível permite que ela seja moldada conforme desejado podendo ser utilizada na forma de membrana. Porém, sozinha, ela não possui ação anti-inflamatória ou antimicrobiana. Sendo assim, acrescentar a ação da bromelina a ela seria um casamento perfeito. E a união ocorreu em 2014.
As pesquisas com a produção da nanocelulose bacteriana ocorre no Laboratório de Microbiologia Industrial e Processos Fermentativos (Laminfe) da Uniso e é coordenado pela professora Angela Faustino Jozala. Já a purificação da bromelina fica a cargo da equipe da professora Priscila Gava Mazzola, da Unicamp. Os projetos são financiados pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).
“Decidimos unir a celulose e a bromelina, somando suas características e buscando o desenvolvimento de um produto com características superiores. Esperamos que (a pesquisa) traga o desenvolvimento de um curativo com boa eficácia e um custo baixo, uma vez que a bromelina pode ser obtida a partir de resíduos do abacaxi e a bactéria que produz a nanocelulose pode ser cultivada em laboratório a partir de meios também formados por resíduos, como bagaço de uva ou frutas apodrecidas”, conta a professora Angela, lembrando que os pesquisadores utilizam cascas de abacaxis doadas por mercados e varejões locais. Ou seja, algo que iria para lixo renasce como alternativa de tratamento de emergências médicas.
"Estudos adicionais como a avaliação da eficácia e da segurança do produto em seres humanos ainda serão necessários", Priscila Mazzola, professora da Unicamp.
As professoras ressaltam ainda que, há mais de 50 anos, estudos mostram a atividade anti-inflamatória da bromelina. Já se sabe também de sua ação antimicrobiana e proteolítica, ou seja, a ação de quebrar outras proteínas. Essa ação proteolítica, por exemplo, possibilita o uso da bromelina como auxiliar na digestão de carnes. Também por causa dessa ação proteolítica, a bromelina é capaz de remover a camada morta que fica na superfície de ferimentos, permitindo assim a maior oxigenação do local, o que auxilia na cicatrização.
Próximos passos
Mas, afinal, quando isso vai chegar de fato às pessoas no mercado? É preciso ter paciência. “Estudos adicionais como a avaliação da eficácia e da segurança do produto em seres humanos ainda serão necessários. Assim como estudos para o desenvolvimento da embalagem desse produto. E por fim, a parte regulatória, para registro do produto e autorização para a comercialização. Estimamos mais ou menos dez anos pra tudo isso ser realizado”, explica a professora Priscila. De acordo com Angela, os estudos ainda não foram concluídos e vão avançar. Ainda são necessários, por exemplo, mais estudos para comprovar a segurança e eficácia do produto em seres humanos e estudos de como embalar o produto para venda. E, lógico, esses estudos dependem de financiamento.

Que o abacaxi faz bem à saúde todo mundo sabe. Ajuda na digestão, aumenta a massa muscular, controla a coagulação sanguínea e outros tantos benefícios. Agora, a fruta tem papel principal em uma outra descoberta. Uma parceria entre pesquisadores da Unicamp e da Universidade de Sorocaba (Uniso) comprovou que ela tem propriedades que aceleram a cicatrização, algo que pode melhorar a vida de muita gente. Na verdade, foram dois trabalhos paralelos que se complementaram ao longo da última década.

As pesquisas para extração e purificação de uma enzima chamada bromelina a partir de resíduos de abacaxi começou em Campinas a partir de 2008. Paralelamente, na cidade próxima, estava sendo desenvolvido um trabalho para a produção da nanocelulose bacteriana, que possui um alto grau de compatibilidade, alta resistência mecânica, porosidade e principalmente alta capacidade de retenção de água, por isso é muito utilizada como um substituto temporário da pele no caso de queimaduras de segundo grau e no tratamento de úlceras.

Sua estrutura flexível permite que ela seja moldada conforme desejado podendo ser utilizada na forma de membrana. Porém, sozinha, ela não possui ação anti-inflamatória ou antimicrobiana. Sendo assim, acrescentar a ação da bromelina a ela seria um casamento perfeito. E a união ocorreu em 2014.

As pesquisas com a produção da nanocelulose bacteriana ocorre no Laboratório de Microbiologia Industrial e Processos Fermentativos (Laminfe) da Uniso e é coordenado pela professora Angela Faustino Jozala. Já a purificação da bromelina fica a cargo da equipe da professora Priscila Gava Mazzola, da Unicamp. Os projetos são financiados pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

“Decidimos unir a celulose e a bromelina, somando suas características e buscando o desenvolvimento de um produto com características superiores. Esperamos que (a pesquisa) traga o desenvolvimento de um curativo com boa eficácia e um custo baixo, uma vez que a bromelina pode ser obtida a partir de resíduos do abacaxi e a bactéria que produz a nanocelulose pode ser cultivada em laboratório a partir de meios também formados por resíduos, como bagaço de uva ou frutas apodrecidas”, conta a professora Angela, lembrando que os pesquisadores utilizam cascas de abacaxis doadas por mercados e varejões locais. Ou seja, algo que iria para lixo renasce como alternativa de tratamento de emergências médicas.

As professoras ressaltam ainda que, há mais de 50 anos, estudos mostram a atividade anti-inflamatória da bromelina. Já se sabe também de sua ação antimicrobiana e proteolítica, ou seja, a ação de quebrar outras proteínas. Essa ação proteolítica, por exemplo, possibilita o uso da bromelina como auxiliar na digestão de carnes. Também por causa dessa ação proteolítica, a bromelina é capaz de remover a camada morta que fica na superfície de ferimentos, permitindo assim a maior oxigenação do local, o que auxilia na cicatrização.

Próximos passos

Mas, afinal, quando isso vai chegar de fato às pessoas no mercado? É preciso ter paciência. “Estudos adicionais como a avaliação da eficácia e da segurança do produto em seres humanos ainda serão necessários. Assim como estudos para o desenvolvimento da embalagem desse produto. E por fim, a parte regulatória, para registro do produto e autorização para a comercialização. Estimamos mais ou menos dez anos pra tudo isso ser realizado”, explica a professora Priscila. De acordo com Angela, os estudos ainda não foram concluídos e vão avançar. Ainda são necessários, por exemplo, mais estudos para comprovar a segurança e eficácia do produto em seres humanos e estudos de como embalar o produto para venda. E, lógico, esses estudos dependem de financiamento.