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Frutas pouco conhecidas têm efeitos positivos em doenças cardiovasculares

Publicado em 17 outubro 2018

Você já ouviu falar no mirtilo rosa? De origem no Sudeste Asiático, a fruta, usada na medicina popular para tratar diarreia e estimular o sistema imunológico, vem chamando a atenção dos cientistas por suas propriedades antioxidantes, anti-inflamatórias, antiproliferativas e antilipogênicas.

Esse tipo de mirtilo é uma das maiores fontes no reino vegetal de piceatannol --um composto fenólico mais ativo que o resveratrol, encontrado principalmente na casca da uva. “O piceatannol parece interferir com o acúmulo de lipídios no tecido adiposo”, diz Yvan Larondelle, professor da Faculdade de Bioengenharia da Universidade Católica de Louvain, na Bélgica.

Os pesquisadores têm auxiliado os produtores da fruta, que tem sido utilizada no Vietnã na produção de sucos e bebidas alcoólicas, a corrigir falhas na produção e desenvolver processos para extrair piceatannol de forma mais eficiente. A meta é introduzir o composto bioativo em outros produtos mais elaborados.

O novo açaí

O mirtilo rosa faz parte do grupo de frutas estudadas por Larondelle nos últimos 25 anos. O pesquisador pretende descobrir e explorar o potencial de frutas e verduras pouco conhecidas que podem ser fontes negligenciadas de compostos bioativos --substâncias que ocorrem naturalmente em alimentos e que interferem positivamente no metabolismo, mas que não são nutricionalmente necessárias.

Tudo começou com o açaí. Larondelle foi um dos primeiros a estudar a fruta de origem amazônica e revelar que ela é extremamente rica em compostos fenólicos antioxidantes --substâncias como os polifenóis, presentes no vinho tinto, com efeitos positivos sobre doenças cardiovasculares.

“Um copo com 250 mililitros de extrato de açaí tem 1 grama de compostos fenólicos”, destacou ele em palestra na FAPESP Week Belgium, realizada nas cidades de Bruxelas, Liège e Leuven de 8 a 10 de outubro de 2018.

Agora, a estratégia é selecionar vegetais promissores, com base no consumo e na utilização deles em medicina tradicional. Se o alimento atender a esses requisitos, os próximos passos dos pesquisadores são fazer a caracterização química dos bioativos potenciais e avaliar a biotividade dos compostos in vitro e in vivo, a fim de identificar se apresentam propriedades antioxidante, anti-inflamatória, antiaterosclerótica, antiobesidade e anticancerígena, entre outras.

*Com informações da Agência FAPESP