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Informe MS

Frutas frescas por mais tempo

Publicado em 21 janeiro 2008

Para preservar a qualidade e prolongar a vida útil de frutas e hortaliças com o auxílio de uma ferramenta prática de auxílio aos processos de resfriamento desses produtos, foi criado o software CoolSys, destinado à comunidade acadêmica e ao setor produtivo. O programa já está disponível para download gratuito no site da Faculdade de Engenharia Agrícola (Feagri) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

De acordo com a coordenadora do projeto de desenvolvimento do software, Barbara Teruel Mederos, professora do Conselho Integrado de Infra-Estrutura Rural da Feagri, as baixas temperaturas, usadas na medida certa, podem aumentar a vida útil dos alimentos. Mas, quando usado de maneira incorreta, o frio pode comprometer os valores nutritivos e econômicos do produto ao deixar os alimentos com o metabolismo acelerado e podendo amadurecem mais rápido, fazendo com que, muitas vezes, tenham que ser jogados fora antes de serem consumidos.

"Com o software, por meio de dados extraídos de pesquisas científicas e inseridos em modelos matemáticos, o produtor ou o revendedor podem calcular quais os tipos de alimentos, que podem ser refrigerados juntos, com a mesma temperatura e umidade relativa do ar, e quais devem ser conservados separadamente", disse Barbara à Agência Fapesp.

"Assim os produtos chegarão à mesa do consumidor com a melhor relação custo-benefício possível. Muitas pessoas compram alimentos, principalmente frutas, que, mesmo aparentemente bonitas, podem ter perdido seu valor nutricional devido ao armazenamento incorreto. Os danos nos alimentos começam internamente e só aparecem na casca quando todo o produto está comprometido", complementa.

O programa é dividido em dois módulos. O primeiro possui um banco de dados com informações técnicas, colhidas na literatura nacional e internacional, sobre cerca de 100 tipos de frutas e hortaliças consumidas no Brasil. São dados como os nomes científico e comercial, temperatura de conservação e tempo de armazenamento recomendados pela literatura, além de sensibilidade ao etileno, gás liberado pelas frutas que contribui para a aceleração de seu envelhecimento.

Nesse primeiro módulo também podem ser encontradas as propriedades térmicas e físicas de cada alimento. Já no segundo módulo são feitas as simulações por meio de uma interface gráfica, de modo que o usuário entenda como um produto fresco deve se comportar na chamada "cadeia do frio", que é o conjunto de operações, realizadas depois da colheita até a comercialização, para manter o produto sob as condições ideais de temperatura.

A idéia da simulação é garantir, quando o conhecimento adquirido for aplicado em procedimentos práticos, o prolongamento da vida útil dos alimentos com a diminuição de sua degradação enzimática, da velocidade de proliferação de fungos e da perda de água, fatores que afetam a aparência, o sabor e o aroma dos produtos.

"Na prática, boa parte do setor produtivo e do varejo realiza inadequadamente os procedimentos da cadeia do frio. Por falta de conhecimento tecnológico, eles normalmente submetem diferentes tipos de frutas e hortaliças a uma mesma temperatura padrão, incompatível com a fisiologia de cada alimento", afirma Barbara.

Para as simulações do processo de resfriamento do software, explica Barbara, o usuário precisa introduzir informações como as dimensões do alimento e da embalagem, temperatura inicial do fruto e a velocidade e o sentido da circulação do ar refrigerado.

"Não precisa ser especialista na área para coletar esses dados. Normalmente a temperatura do produto é a ambiente, por exemplo. Em caso de dúvidas, o usuário pode consultar o primeiro módulo do software e obter dados de literatura para cada alimento. Esse módulo pode inclusive ser usado como fonte de informações para outras atividades de pesquisa por estudantes das engenharias", conta a professora.

O programa informa ainda os melhores tipos de embalagens para cada tipo de alimento, sem fazer alusão a nenhuma marca comercial. O software, registrado no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi), foi desenvolvido em parceria com pesquisadores da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), na Paraíba e teve um auxílio à pesquisa da Fapesp (Fundo de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo).

Mais informações: www.feagri.unicamp.br/agripaginas.php