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Frentistas têm visão em risco pela exposição à gasolina

Publicado em 14 dezembro 2013

Uma pesquisa científica feita pela Universidade de São Paulo (USP), divulgada nesta segunda-feira (9) pela Agência Fapesp, revela que os frentistas de postos de combustíveis tiveram perdas visuais significativas em função do seu trabalho junto às bombas de combustíveis. Os frentistas podem estar com a visão em risco pela exposição aos solventes existentes na gasolina.

Avaliado por meio de uma nova metodologia capaz de detectar problemas que passam despercebidos em exames oftalmológicos convencionais, o grupo estudado, formado por 25 trabalhadores, revelou perdas visuais principalmente relacionadas à capacidade de discriminar cores.

"Esses trabalhadores têm contato diário com solventes da gasolina, como benzeno, tolueno e xileno, e não há um controle normativo forte. Há estudos que estabelecem limites de segurança para a exposição a solventes, mas não há parâmetros de segurança para a exposição à mistura de substâncias presentes na gasolina e praticamente ninguém faz uso de equipamentos de proteção", explicou Thiago Leiros Costa, bolsista da Fapesp e autor do mestrado que avaliou o grupo de trabalhadores.

O desempenho dos frentistas nos testes psicofísicos foi inferior em relação ao do grupo controle. A hipótese dos pesquisadores é que o impacto na visão seja decorrente do dano neurológico causado pelas substâncias tóxicas do combustível, absorvidas principalmente pelas mucosas da boca e do nariz.
"Encontramos ações em todos os testes de visão de cores e de contrastes. Foi uma perda difusa de sensibilidade visual e isso sugere que foram afetados diferentes níveis de processamento do córtex visual", disse o mestrando.

A professora Dora Selma Fix Ventura, do Instituto de Psicologia da USP, coordenadora do projeto, disse que foram avaliadas a capacidade de discriminar cores e contrastes e foram feitas medidas de campo visual por meio de testes psicofísicos computadorizados. A atividade elétrica da retina também é medida com um exame não invasivo, o eletrorretinograma, que consiste na colocação de um eletrodo no olho para medir a resposta elétrica da retina a um determinado estímulo visual.