Notícia

Pop Mundi

Francanos criam cápsula que ajuda em tratamentos de pacientes

Publicado em 21 outubro 2018

Pesquisadores da Universidade de Franca (Unifran) e do Instituto de Química da Universidade Estadual Paulista (Unesp), desenvolveram um novo material possibilita controlar a absorção de medicamentos pelo organismo e evita as oscilações da concentração na corrente sanguínea.

De acordo com o professor Eduardo Molina, da Unifran, o material é muito próximo das conhecidas cápsulas ou comprimidos convencionais, no entanto, ao invés do paciente tomar o remédio 1 ou 2 vezes ao dia, ele tomaria apenas uma dose ao longo de uma semana, 15 dias ou até 1 mês.

“A gente consegue controlar a quantidade de medicamento liberada em função de um tempo maior. As doses que ele (paciente) precisaria ingerir são menores. Conseguimos com esses medicamentos que incorporamos tratamentos contra artrite, reumatismo, lesões musculares e mesmo na parte de cirurgias, entre outras”, explicou Molina.

O material é resultado da combinação de dois elementos, a argila e o hidrogel polimérico, que resultou em um nanocompósito no qual foi incorporado diclofenaco sódico durante a preparação do material. Ele pode ser usado para revestir comprimidos, por exemplo, e atuar como um sistema de liberação de fármacos para tratamentos prolongados e evitar efeitos colaterais.

“Como o paciente não vai estar ingerindo aquela dose repetidamente, ao longo de todos os dias, não vai ter a questão do efeito colateral. Ele estaria dentro da faixa terapêutica de controle, seria uma dose mais controlada ao longo do tratamento e mais viável ao paciente”, ressaltou o professor.

Os pesquisadores agora já estão com um novo desafio, colocar o material no mercado para os pacientes. Os cientistas buscam incentivos de empresas para ser produzido em grande escala.

“Como a gente desenvolve o material em fase de escala piloto dentro de um laboratório, a parte industrial para ser aplicada no mercado precisamos de empresas que possam financiar, ou até mesmo, patentear essa tecnologia. Nós já recebemos algumas ligações de interessados e nesse semestre mesmo teremos alguma proposta para colocar esse material em vias de mercado”, concluiu o Molina que ainda destacou em entrevista ao repórter Thiago Garcia, pela Rádio Imperador e Pop Mundi, a importância do trabalho e equipe entre professores e alunos.

O novo material foi desenvolvido no âmbito do Instituto de Tecnologias Ecoeficientes Avançadas em Produtos Cimentícios – um dos INCTs (Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia) financiados pela FAPESP, em parceria com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), no Estado de São Paulo. O processo de obtenção da estrutura foi descrito em artigo publicado na revista Applied Materials & Interfaces, da American Chemical Society.