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Jornal do Brasil online

França prioriza parceria em pesquisa com São Paulo

Publicado em 20 março 2016

A FAPESP recebeu, no dia 8 de março, a visita do conselheiro de Cooperação e Ação Cultural da Embaixada da França em Brasília, Alain Bourdon, que foi acompanhado de Gérard Chuzel e de Sandra Fernandes, respectivamente adidos de Cooperação para a Ciência e a Tecnologia e de Cooperação e Ação Cultural do Consulado da França em São Paulo.

Eles foram recebidos por Eduardo Moacyr Krieger, vice-presidente da FAPESP, Alexandre Roccatto, gerente de área científica, Ana Maria Fonseca Almeida, coordenadora adjunta da área de Ciências Humanas e Sociais, e Fernando Menezes, assessor da presidência.

Bourdon, que também dirige o Instituto Francês do Brasil, ressaltou o “longo histórico de parcerias existentes entre pesquisadores franceses e seus pares em São Paulo”. Para ele, questões de interesse comum e novas frentes de atuação, como o apoio conjunto ao desenvolvimento de pesquisas em empresas, devem ser reforçadas em futuras parcerias.

No Brasil há seis meses, Bourdon afirmou que o tema da pesquisa científica deve ganhar espaço nas tratativas entre os dois países. “Tenho conversado com representantes dos Estados no Confap [Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa] sobre a já tradicional pesquisa colaborativa com o Brasil, e concordamos que é preciso ampliar e consolidar as parcerias.”

Do mesmo modo, Krieger destacou que a relação de São Paulo com a França, particularmente em pesquisa, é intensa e de longa data. “A FAPESP sempre colocou como prioridade a relação com a França, criando oportunidades para estreitar ainda mais essa relação, a exemplo dos diversos acordos mantidos pela Fundação”, disse.

Segundo Krieger, apesar de o Brasil formar em torno de 16 mil doutores por ano, ter entre 40 e 50 mil publicações em revistas científicas anualmente e ocupar a 13ª posição mundial em produção científica, o país ainda não apresenta uma boa média de impacto em suas pesquisas.

“Por conta disso, a FAPESP está preocupada com a qualidade e com o reconhecimento da pesquisa feita em São Paulo, para o que as parcerias internacionais, como as que mantemos com a França, são fundamentais”, afirmou, destacando como exemplo promissor a pesquisa conjunta na área da saúde, incluindo as atualmente vigentes entre USP, Instituto Butantan e Instituto Pasteur, de Paris.

Durante o encontro, diversos acordos internacionais para a pesquisa mantidos pela Fundação foram expostos, incluindo aqueles firmados com instituições de fomento, universidades e empresas, com destaque para as parcerias existentes com a França.

A FAPESP mantém atualmente com instituições francesas sete acordos de cooperação para a pesquisa e um protocolo de intenções. Dos 713 auxílios à pesquisa já concedidos em parceria com essas instituições, 31 estão atualmente em andamento, sobretudo em áreas interdisciplinares, de Ciências Exatas e da Terra, de Ciências Humanas e Biológicas.

A parceria com empresas foi um dos principais temas abordados, a exemplo do Centro de Pesquisas em Engenharia voltado para pesquisas sobre temas relacionados a motores a combustão movidos a biocombustíveis, criado em 2015 pela parceria entre FAPESP, Unicamp e a subsidiária brasileira da montadora francesa Peugeot-Citroën.

De acordo com Chuzel, o apoio conjunto a pesquisas feitas em empresas deve ganhar mais espaço, a fim de se beneficiar dessa cooperação. “Na França há um programa voltado especificamente ao apoio à pesquisa em empresas, o que ajuda a viabilizar que o setor produtivo atue em conjunto com instituições de pesquisa e universidades”, disse.

Chuzel explicou que após o período em que se realiza a pesquisa na empresa – três anos, com bolsas que preenchem metade do valor do salário do pesquisador –, o pesquisador tende a dar continuidade a esse trabalho, normalmente contratado para isso pela empresa.

“É um tipo de garantia de emprego extremamente qualificado e, por parte da França, existe a intensão de levar esse tipo de apoio a empresas que realizem pesquisas também no Brasil”, disse.

FAPESP